Os guerreiros em terracota: em junho no MON.

Depois de dois meses fechado por problemas de infra-estrutura, o Museu Oscar Niemeyer reabre em julho em grande estilo: o espaço recebe as magníficas exposições da República Popular da China Guerreiros de Xi?an e Tesouros da Cidade Proibida, que reúnem cerca de 350 peças – entre estátuas, vasos, roupas, quadros, pinturas, armas e utensílios domésticos – e já foram vistas por mais de 600 mil pessoas em São Paulo, onde estão desde o começo de abril. As mostras cobrem um período de aproximadamente 7 mil anos, entre 5.000 a.C e 1911, e ficam até o dia 30 de agosto no MON.

O destaque são os guerreiros de Xi?an, impressionantes estátuas de terracota em tamanho natural, mandadas esculpir por volta de 220 a.C pelo imperador Qin Shihuang, e descobertas em escavações arqueológicas nos anos 70. Declaradas patrimônio da humanidade pela Unesco, são uma das atrações turísticas mais visitadas do mundo. O lote que vem para Curitiba possui onze soldados e dois cavalos, e outras 200 peças em cerâmicas, bronze, pedras, osso e porcelana de diversas dinastias da província de Shaanxi.

Negociações

A vinda da megaexposição chinesa só foi possível depois de um intenso trabalho de negociação com os representantes da China, que insistiam no retorno das peças para o país de origem assim que terminasse a exposição em São Paulo, no próximo dia 8. A embaixada brasileira em Pequim intercedeu, e depois de visitar na terça as instalações do museu curitibano, a missão chinesa – formada por Hu Guoqing (Conservador do Palace Museum), Ma Zhixiang (Conservador da Província de Shaanxi), a intérprete Jeane Yange e o gerente do projeto (BrasilConnects), Elisio Yamada – concordou com a transferência.

“Avaliamos as condições de segurança e os equipamentos de controle da temperatura instalados neste espaço”, explicou Yamada. “Porque as peças exigem uma aclimatação especial durante o período em que ficam expostas ao público.” Está prevista uma nova visita de técnicos chineses nos próximos dias, desta vez para avaliar como será distribuída a exposição.

Empolgados

Aparentemente os chineses ficaram empolgados com o espaço: Hu Guoging, do Palace Museum, notou que Museu Oscar Niemeyer é maior do que a Oca, onde as exposições estão instaladas em São Paulo. Isso deve permitir a vinda de alguns painéis fotográficos, que não integraram a mostra no Ibirapuera por falta de espaço, além de fitas de vídeos que poderão ser projetadas nas salas de projeções do MON. “Se a exposição em São Paulo já foi um sucesso pela importância artística e histórica das obras, pela administração, pelo projeto bem dirigido e pela excelente publicidade, temos certeza que em Curitiba vai ser maior”, comentou. Embora Maristela Requião não tenha divulgado o custo da vinda das mostras, fontes ligadas ao Palácio Iguaçu adiantaram que o governo está atrás de um patrocínio de cerca de R$ 1 milhão, que cobriria toda a parte operacional (transporte, segurança, seguro etc.). Antes do Brasil, as exposições só tinham passado pelos museus Guggenheim de Nova York e de Bilbao.