Uma garota comum, com uma vida detestável, tirada da própria realidade para descobrir que a vida na Terra não é nada daquilo que ela imaginava. O pontapé da história de Júpiter Jones, personagem interpretada por Mila Kunis, confunde-se com a trajetória de Neo (Keanu Reeves), da trilogia Matrix, também criada e dirigida pelos irmãos Lana e Andy Wachowski, Em vez da crueza e do noir tecnológico e apocalíptico, os diretores apresentam Júpiter (e a nós) a um universo multicolorido, excessivamente glamourizado e um tanto confuso.

Pobrezinha da personagem de Kunis, arremessada de um lado para o outro em um jogo pelo poder protagonizado por três irmãos, Balem (Eddie Redmayne), Titus (Douglas Booth) e Kalique (Tuppence Middleton), na disputa pela posse do nosso Planeta. Explicando de forma simples, Júpiter é a reencarnação da mãe dos três irmãos e verdadeira dona do Planeta, assassinada anos e anos atrás. E por que eles disputam a Terra? A trama de Wachowski se baseia no fato de que a vida humana descende de um outro planeta e só estamos aqui para servir como uma espécie de gado. Esses alienígenas, acredite, transformam os humanos em uma espécie de soro rejuvenescedor e, por isso, vivem milhares de anos.

A ficção científica e trama política são deixadas de lado para dar espaço a um meloso envolvimento entre Júpiter e Caine Wise, um Channing Tatum transformado numa espécie meio humana, meio cão, contratado por um dos irmãos para resgatar a moça.

Subtramas mal explicadas do início ao fim do longa deixam milhares de pontos soltos para trás, enquanto Júpiter parece sofrer um complexo de Louis Lane, a eterna namorada (agora esposa), do Superman. Sempre metida em grandes enrascadas e precisando ser salva pelo fortão. Soa como alguma sinopse de filme da Sessão da Tarde? Pois é.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.