Eduardo Moscovis: “Ele não
é flor que se cheire…”.

Eduardo Moscovis andava ávido por um bom trabalho. E, a princípio, o primeiro vilão da carreira em uma novela das oito seria melhor que a encomenda. Mas é exatamente esta a função de Reginaldo, o filho mais velho de Maria do Carmo, a protagonista de Senhora do Destino vivida por Suzana Vieira. Por isso, o convite pegou Eduardo de surpresa. O ator estava na praia quando recebeu o telefonema do diretor Wolf Maya. “O convite foi sedutor. Mas sempre é. Sempre é o melhor personagem e você é o único que pode interpretá-lo. Nesse caso achei que a oportunidade era boa mesmo”, conclui o carioca de 36 anos.

O fato de se tratar de uma novela de Aguinaldo Silva contribui para que Eduardo acredite nisso. Ele estreou na tevê em uma trama do autor – como o cigano Tibor em Pedra sobre Pedra, exibida em 1992 – e admira a forma como ele constrói os personagens. “Você lê o texto e percebe que os papéis estão bem desenhados, que todos têm a sua história”, explica.

Ele não sabe dizer, no entanto, se Reginaldo é um exímio vilão. Por enquanto, o personagem ainda não fez uma grande maldade. Mas já deu provas de que não é flor que se cheire. Afinal, esfregou a amante Viviane, personagem de Letícia Spiller, na cara da esposa Leila, de Maria Luísa Mendonça. A mulher, inclusive, morreu após despencar da varanda de um motel, tentando flagrar a pulada de cerca do marido. A relação com a mãe também não é das melhores. “Ele foi criado com todo amor, mas caráter é de nascimento. Ele deve ter algum fio solto, um mau contato que o leva para este lado”, analisa com bom humor.

Cotidiano

E como quase todo personagem com desvio de caráter, Reginaldo tem a ambição entre suas principais características. Vereador do fictício município Vila São Miguel, na Baixada Fluminense, aproveita-se ao máximo da política para se dar bem. Eduardo, que volta e meia fará discursos em cena, não se preocupou em observar políticos quando soube que ia interpretar um. “A gente é obrigado a observá-los a vida inteira. São todos muito parecidos, falam com a mesma entonação de voz e mais ou menos as mesmas coisas”, alfineta o ator, que vê o personagem como um retrato generalizado desses profissionais. “O objetivo do Aguinaldo não é falar de uma figura atípica, mas fazer um apanhado”, acredita.

Acostumado a interpretar personagens que exigem um trabalho maior de caracterização, como os truculentos Carlão do “remake” de Pecado Capital e Petruchio de O Cravo e a Rosa, Eduardo acha até mais difícil viver um tipo do cotidiano, como Reginaldo. “Fica muito próximo da nossa realidade. Prefiro quando o personagem requer mais composição, mas para mim é bom exercitar o naturalismo”, explica.