O pintor Eduardo Marques de Jesus, 72 anos, mais conhecido como Edu das Águas, sempre teve como principal fonte de inspiração para suas telas o Rio Tietê. Nascido no bairro da Liberdade, ele já pintou mais de 400 obras com esse tema. Mas recentemente, um novo desafio o levou a fazer uma viagem de 30 dias por Israel para realizar um sonho: pintar o Rio Jordão, um dos mais importantes da história da civilização. Para apresentar o resultado dessa aventura, Edu abre, hoje, às 19h30, a mostra “Brasil – Israel: Do Tietê ao Jordão”, no Centro Cultural da Marinha, no Jardim Paulista.

Interessado pela cultura da Bíblia, o artista, que se declara cristão, mas prefere não levantar bandeira de uma religião ou igreja específica, diz que sempre teve vontade de produzir obras explorando a beleza, a estética e, claro, as referências históricas do local. “Mas para fazer um trabalho bem feito, é fundamental estar no lugar, na frente da paisagem que se quer pintar”, diz. Apaixonado pelo Tietê, ele explica que há algumas semelhanças entre os dois rios. “Ambos estão poluídos. Ainda assim, prefiro relatar uma visão positiva em minhas obras”.

Hospedado na cidade de Tiberíades, no norte de Israel, todos os dias ele chegava à beira do Jordão por volta das 8h e só ia embora depois das 17h. O pintor conta que fazia questão de sempre levar uma bandeira do Brasil com ele. “Quando as pessoas percebiam que eu era brasileiro, a receptividade era imediata”, conta.

Nos últimos dois meses, o artista pintou cerca de 55 obras. Dessas, 40 estarão na exposição, sendo que apenas 28 poderão ser vendidas. É que para custear a viagem, Edu colocou à venda 12 cotas (de R$ 2 mil cada) que davam direito a uma tela pintada às margens do Jordão. Depois da mostra, essas pinturas serão entregues aos seus donos.

Entre as pinturas produzidas na Terra Prometida, há quadros do Rio Jordão, da vista dele com o Monte Hermon ao fundo, localizado nas Colinas de Golan, fronteira de Israel com a Síria – local que, na Bíblia, é associado à transfiguração de Jesus -, de florais nas encostas do Mar da Galileia, onde deságua o Jordão, de um barco cruzando esse mar, entre outras cenas e relatos marcantes. Segundo Edu, em todos os momentos em que estava pintando, ele tentava se lembrar do significado religioso e histórico daquela região. “Para quem tem cultura bíblica, há um valor muito especial naquele país e no povo de Israel. Muitas vezes, eu pintei chorando, de tanta emoção”. E Edu deve voltar a Israel em breve. “O gerente de um hotel quer que eu faça 200 quadros retratando a Velha Jerusalém”, conta o pintor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Brasil – Israel: Do Tietê ao Jordão. De hoje a 14 de novembro. Sex., das 13h às 17h; sáb. e dom., das 10h às 17h. Centro Cultural da Marinha (Rua Nove de Julho, 4.597). Tel. (011) 3051-6986. Entrada franca.