Com tradução de Ferreira Gullar, em lembrança aos 150 anos de nascimento de Van Gogh, a Editora José Olympio presta uma homenagem ao pintor e lança Van Gogh, o suicida da sociedade. Publicado em 1947, alguns meses antes da morte de Antonin Artaud, o livro foi acolhido com elogios pela crítica e recebeu o prêmio Sainte-Beuve de ensaios, em janeiro de 1948.

Diretor e autor teatral francês, durante vários períodos de sua vida, Artaud sofreu de uma série de enfermidades físicas e mentais. Aos 24 anos, começou a tomar tintura de ópio para aliviar dores de cabeça. Foi internado diversas vezes.

A pedido do amigo e marchand Pierre Loeb e em seguida à leitura de um artigo do doutor Bee, no qual ele revelava ter descoberto no pintor uma esquizofrenia “do tipo degenerado”, Artaud visita a exposição de Van Gogh no Museu L’Orangerie. Ele escreve, então, o primeiro esboço do que se constituiria o seu Van Gogh.

Artaud é enfático: “Não, Van Gogh não era louco; ou então ele era no sentido desta autêntica alienação que a sociedade e os psiquiatras querem ignorar, sociedade que confunde escrita com texto, ela que tacha de loucura visões exorbitadas de seus artistas e sufoca seus gritos no papel impresso: foi assim que calaram Baudelaire, Edgar Alan Poe, Gerard de Nerval e o impensável Conde de Lautréamont. Porque tiveram medo que suas poesias saíssem dos livros e revertessem a realidade”.