Depois de mais de dez anos de um trabalho que envolveu a pesquisa em diversas edições para encontrar erros e redigir notas, a versão definitiva de Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, acaba de ser lançada na Espanha. Trata-se de uma suma quixotesca, uma enciclopédia cervantina que se presta tanto ao prazer da leitura como a estudos. A nova edição é o eixo em torno do qual se comemorará, ano que vem, o quarto centenário desse livro, um dos pilares da literatura universal.

Com capa dura e papel-bíblia, o novo Quixote, publicado pela editora Galaxia Gutemberg, em colaboração com o Instituto Cervantes, inclui dois volumes: o primeiro, com 1.349 páginas, é o texto de Cervantes revisto e atualizado, com prólogo em oito capítulos do filólogo Fernando Lázaro Carreter, morto recentemente, que apresenta dados fundamentais para a compreensão do livro com base na vida e na cultura de Cervantes; o segundo são 1.446 páginas reunindo apêndices, notas e ilustrações que reproduzem a indumentária, os armamentos e objetos da vida cotidiana evocados no romance, além de uma série de mapas da região onde transcorrem as peripécias do fidalgo castelhano e seu amigo Sancho Pança. Completa a edição um CD-ROM com um banco de dados de fácil manejo que permitirá ao usuário, entre outras facilidades, buscar qualquer palavra, família de palavras ou conjuntos de termos que aparecem na obra cervantina.

Segundo o coordenador do trabalho, o acadêmico Francisco Rico, agora está à disposição de leitores, estudantes e estudiosos tudo o que se disse e escreveu até hoje sobre o cavaleiro da Mancha.