Nos anos 60, a turma da Jovem Guarda era quem comandava as tardes de domingo.

No dia 5 de setembro fará 40 anos que foi ao ar o primeiro programa Jovem Guarda, na TV Record, comandado por Roberto Carlos, que acabou tomando ares de movimento e mexeu com o comportamento da juventude da época. Ali está a fonte mais caudalosa do brega, que a partir do iê-iê-iê se alastrou por todos os gêneros, do samba ao caipira. A propósito da data, as gravadoras investem no lançamento de discos de ídolos do programa, como Renato & Seus Blue Caps, que tem 15 álbuns reunidos numa caixa da Sony Music.

São Paulo – A Universal relança a coleção de cinco CDs de dez anos atrás – agora rebatizada de 40 Anos de Jovem Guarda – Os reis do Iê Iê Iê – com regravações de sucessos de vários cantores relacionados àquele nicho, como Wanderléa, Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Os Vips, Martinha. Melhor ir atrás dos originais.

A Sony também aproveita a proximidade com o Dia das Mães para soltar a segunda das cinco caixas Pra Sempre de Roberto Carlos, com 12 títulos dos anos 70s. Como a dos anos 60s, as capas dos CDs vêm em formato que imita a dos LPs e inclui encartes com todas as letras e fichas técnicas (ainda que limitadas).

Roberto, como o tempo provou e todo mundo sabe, foi um dos raros ídolos a sobreviver à ressaca da jovem guarda. E a dobradinha com Erasmo é o que realmente saiu dali para valer alguma coisa. Os álbuns que se seguiram ao movimento flagram sua transição para o requinte técnico, o romantismo exacerbado, a religiosidade com acento soul/gospel e o crescente sucesso comercial. É outra face da majestade.

A caixa começa com o raro álbum em que o cantor narra a história infantil Pedro e o Lobo, do russo Sergei Prokofiev. Gravado em 1970, o disco é um registro de estúdio com a Filarmônica de Nova York, sob a regência do maestro Leonard Bernstein. Em sua primeira edição em CD, é um lampejo de erudição no universo dos fãs do cantor. A propósito, a história didaticamente associa cada personagem a um instrumento de uma orquestra sinfônica. As outras peças que completam o disco, as aberturas de ?Semiramis? (Rossini) e Oberon (Weber), não têm participação do cantor.

Apesar deste achado, vale registrar outras oportunidades perdidas. Na caixa dos anos 60s, lançada em dezembro, faltou o primeiro álbum de Roberto, Louco por Você, que ele mesmo não quer relançar. Nesta, há uma compilação, San Remo – 1968, lançada em 1976, com músicas que só haviam saído em compactos. Não custava nada ter incluído como faixas bônus Fiquei Tão Triste, L?Ultima Cosa e Tudo o que Sonhei para completar a série. Falta ainda a trilha da novela O Bofe, que Roberto e Erasmo compuseram por encomenda da Rede Globo em 1972. A única faixa lançada em CD foi o samba-pop Rainha de Roda, gravado por Elza Soares e incluído na caixa da EMI dedicada à cantora.

Da discografia oficial, enfim, aqui estão alguns dos bons álbuns do cantor, todos intitulados apenas com seu nome, e agora com encarte incluindo todas as letras. A partir de 1971 – ano do lançamento do LP que tinha clássicos como ?Detalhes? e ?Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos? – Roberto começou a gravar em estúdios americanos, o que marca uma guinada em termos de qualidade sonora de seus discos.