A atriz, diretora e autora paranaense Denise Stoklos volta a se apresentar na sua terra natal com o espetáculo Mary Stuart, no dia 1.º de agosto, no Teatro Positivo. No palco a atriz encena textos sobre Mary presa e condenada à morte, e também sobre sua prima Elizabeth I, a rainha da Inglaterra.

Como define Denise, o trabalho, feito nos parâmetros do chamado “Teatro Essencial”, mostra a liberdade de uma atriz em dar o que ela tem de melhor no palco, demonstrando o amor à profissão e aos valores humanos que o espetáculo traz.

“É isso que é o Teatro Essencial. A eterna busca por liberdade e amor, sem nada fútil, em tempos em que estamos condenados a viver debaixo de parâmetros que nos tira esses sentimentos mais nobres. Mas porque temos que aceitar os princípios não-éticos se o amor prega o respeito pelas pessoas? E é esse respeito que faz nos ligar nas nossas vocações, que nos faz crescer”, diz Denise.

No Teatro Essencial não é preciso que o cenário case com a história, que o figurino e as expressões revelem a época em questão. “Se eu represento um padre, por exemplo, não preciso estar de batina. Se o espectador vai ao teatro por necessidade ele conseguirá ver que aquele que fala, que pulsa no palco, é um padre. O teatro é uma troca de energia entre os atores e a platéia a partir do momento que o espectador percebe que o ator trabalhou muito naquilo, na sua voz, no seu desgaste muscular”, comenta a atriz.

Desta forma, em Mary Stuart -que estreou em Nova Iorque em 1987 – não há um cenário propriamente dito, apenas uma cadeira. Sem mudar de figurino, a atriz se transforma de um personagem a outro, de uma época à outra totalmente diferente. E o espectador percebe que mesmo passando tanto tempo, a situação de poder, de competição, se preserva.

“É uma época em que o mundo estava passando por grandes transformações, que o homem estava sendo descoberto, tanto sua “psiquê’ como seu corpo. É importante que o espectador não veja a peça de maneira superficial, mas que perceba-a profundamente. Tudo vai depender da sua capacidade de enxergar cada vez mais”, recomenda Denise.

Denise Stoklos

Denise nasceu em Irati e iniciou sua carreira como atriz em Curitiba, em 1968. Trabalhou em diversas peças até 1977, dirigidas por Ademar Guerra, Antunes Filho, Antonio Abujamra, Fauzi Arap e Luis Antonio Martines Correia, entre outros.

Em 1982, estudou na Califórnia e, no ano seguinte, criou seu grupo no espetáculo chamado Maldição. Foi aclamada como a melhor de todo o festival de artes de Edimburgh, no ano de 1994. Denise já se apresentou em 31 países e foi a primeira atriz brasileira a atuar em Moscou, Pequim, Taipei e Ucrânia.

Em sua segunda visita à China, foi realizado, em sua homenagem, um festival que levou seu próprio nome. Em 1996, criou Mais pesado que o ar – Santos Dumont e, em 1997, Desobediência civil.

Em 1999, estreou Vozes dissonantes, e em 2000, apresentou, no La Mama, de Nova Iorque, o espetáculo Louise Bourgeois: I do, I undo, I redo. No primeiro semestre do ano 2000, foi professora convidada da Universidade de Nova Iorque para lecionar sobre seu método, o Teatro Essencial.

Serviço

Denise Stoklos em Mary Stuart Sábado, às 21h, no Teatro Positivo (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 1300, Campo Comprido). Ingresso: R$ 54,00 (inteira). Peça baseada em textos de Dacia Maraini, Romain Gary e Denise Stoklos. Direção, coreografia, voz e atuação solo de Denise Stoklos.