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Demanda de filmes restaurados poderia abastecer streaming

  • Por Estadão Conteúdo

Após a boa notícia de que o filme do enterro do João do Rio foi encontrado, o que o restaurador tinha nas mãos não era tão estimulante. A lata com o rolo de 13 minutos estava em mau estado de conservação. Com o tempo, a película gruda – quando não sofre combustão espontânea – e danifica a imagem de modo permanente.

O restaurador Antonio Venancio levou o material até a Afinal Filmes, uma produtora audiovisual no Rio, que além de realizar processos de pós produção e produção de audiovisual, tem um setor destinado à restauração de filmes antigos. O equipamento utilizado não é tão comum no País. O conjunto de scanner, roletes e lente e outros elementos faz o trabalho de transformar as imagens da película em um filme de resolução 4k, em tempo real. Se o filme tem 50 minutos, a conversão em 4k durará os mesmos 50 minutos.

Mas não foi o que aconteceu com o filme do enterro, conta o sócio da produtora Marcelo Pedrazzi. “O material estava mesmo danificado, com muitas partes grudadas.” Ele conta que, antes, foi preciso realizar um processo de limpeza em todo o rolo para, em seguida, escanear os quadros, levando mais que 13 minutos, a duração total do filme. “Quando o filme passa pela lente, uma luz é emitida e um sinal enviado cria um arquivo digital”, explica Pedrazzi. Desde que a aquisição do equipamento em 2016, a Afinal realiza processos de restauração para diversos casos, como a conversão de arquivos para uso em documentários, no caso da inserção de trechos, e a recuperação de materiais antigos.

A atividade abriu caminho para um mercado interessante, mas com demanda reprimida, conta Pedrazzi. “Alguns nos procuram para restaurar filmes em outros formatos, como Super 8, por exemplo, o que essa máquina não faz.” Ele conta que em todo Brasil, a Cinemateca Brasileira deveria ser o principal polo para esse tipo de serviço de recuperação. “Por um tempo, chegou-se a fazer, mas a Cinemateca perdeu capacidade ao longo dos anos.”

Em dezembro do ano passado, o extinto MinC lançou edital específico para restauro e digitalização de conteúdos audiovisuais. De acordo com o site, devem ser investidos em 2019 R$ 23.375 milhões para projetos de recuperação de obras audiovisuais e de migração de suporte de origem da obra para formato digital. Para os projetos de restauro selecionados, o valor destinado será R$ 1.250 milhão, totalizando R$ 10 milhões. Já os de digitalização receberão R$ 750 mil, com investimento total de R$ 13, 375 milhões. No âmbito estadual, há editais na área arquivos, da Secretária de Cultura, que destina anualmente R$ 100 mil a projetos de difusão e acesso em arquivos permanentes, e R$ 100 mil para projetos de gestão e preservação de arquivos permanentes.

Desde 2016, a restauração de filmes na produtora carioca rendeu um acúmulo de mais de 5o títulos. O resultado pode ser visto em 2018 com a primeira edição do festival Remaster, Clássicos do Cinema Brasileiro, mostra que vai na mão do ineditismo e acontece de forma simultânea no Rio e em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Salvador.

Na programação, circularam longas como Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, O Homem da Capa Preta (1976), de Sergio Rezende, República dos Assassinos (1976), de Miguel Faria Jr., Luz del Fuego (1982), de Roberto Farias e os documentário Os Doces Bárbaros (1977), de Jom Tob Azulay, e Carmen Miranda: Banana is My Bussiness (1955), de Helena Solberg.

Para Pedrazzi, a recuperação de filmes brasileiros poderia tornar-se um mercado que atenderia muito mais que o gosto local por clássicos. “Há uma busca pelo cinema nacional antigo, desde pesquisadores até o público comum. A restauração impulsionaria uma cadeia produtiva para atender plataformas de streaming, como a Netflix, por exemplo. É um jeito de ampliar o acesso à produção audiovisual brasileira.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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