Pedro e Rosa, Antônio Fagundes e
Patrícia Pillar: na estrada.

O ator Antônio Fagundes não resistiu por muito tempo. Por ocasião do lançamento da nova versão de Carga Pesada, em abril deste ano, ele avisou que não pretendia mais voltar a escrever episódios porque a série estava muito bem entregue a Leopoldo Serran. Mas bastou o diretor Marcos Paulo convocar outros autores, como Walter Negrão e Álvaro Ramos, para colaborarem com novas história para Pedro e Bino, para Antônio Fagundes logo se animar a escrever não um, mas três episódios. Um deles, “Caminhos Cruzados”, inclusive, vai abrir a nova temporada de Carga Pesada, que reestréia dia 12 de agosto, logo após o Casseta & Planeta, Urgente!. “Não tenho a menor dificuldade em escrever porque conheço bem os personagens. Muito pelo contrário. Fica até mais fácil para mim porque como ator sei o que dá mais ou menos trabalho para produzir”, garante.

Em “Caminhos Cruzados”, o sempre mulherengo Pedro conhece Nadja, interpretada pela atriz uruguaia Nádia Rowinsky, em um restaurante de beira de estrada. Como já era de esperar, o caminhoneiro não resiste e “parte para cima” da moça. Quem não gosta nada disso é Rosa, personagem de Patrícia Pillar, que flagra os dois no maior chamego. Rosa, porém, não é a única que desaprova aquela intimidade. Gringo, o namorado ciumento de Nadja, vivido por Chico Diaz, também “parte para cima” de Pedro. Bino e Pedrinho, personagens de Stênio Garcia e Wagner Moura, tentam acalmar os ânimos e acabam levando uma surra de Gringo. “Rosa pensou que pudesse ser diferente com ela. Mas Pedro está vivendo um conflito, não sabe se quer ter um porto seguro ou não”, analisa a atriz.

O episódio “Caminhos Cruzados” serve de pretexto para que a participação de Patrícia no seriado chegue a um final. Já foram gravados quatro episódios nessa nova leva, mas a atriz só participou desse primeiro. “Se precisarem de mim, estarei a postos”, sorri a atriz, que já se apressa em incluir a caminhoneira Rosa em sua galeria de personagens marcantes na tevê, bem ao lado da bóia-fria Luana, de O Rei do Gado, onde contracenou justamente com Antônio Fagundes. “Mas cortar cana é bem mais difícil que dirigir caminhão”, ressalva a atriz. Para Fagundes, a “recaída” de Pedro é sintomática de um sujeito que, como ele próprio diz, é “da boléia”, ou seja, não tem endereço certo. “Se Rosa ficasse, ele se casaria com ela e viraria um sem-vergonha, porque é muito namorador. Ele até é sem-vergonha, mas só namora uma de cada vez”, defende, brincalhão.

Novidades

A espécie de despedida de Patrícia Pillar não é a única novidade de Carga Pesada. A exemplo do que acontecia na versão original, exibida pela Globo entre 1979 e 1981, vários autores vão se revezar no seriado. Antônio Fagundes já escreveu três – os outros dois são “Carga Perecível” e “Companheiros”. Outros três episódios já entraram em fase de produção: O Passado Me Condena, de Álvaro Ramos, A Vaca de Milhão, de Walther Negrão, e Fronteira Sem Lei, de Ivan Sant?Anna. “Meu episódio fala sobre contrabando na fronteira com a Bolívia e tem ação do início ao fim. Quem estiver esperando por um mínimo de romance, vai se desapontar”, avisa Ivan.

Com a volta de Carga Pesada, a Globo espera recuperar também as boas audiências nas noites de terça. A temporada anterior chegou a registrar média de 30 pontos, enquanto o “game” O Jogo mal resvalava nos 15. “O sucesso do seriado surpreendeu a nós mesmos. Hoje, o público só me reconhece nas ruas como Bino. Até pouco tempo, as pessoas me chamavam de Tio Ali”, brinca Stênio, referindo-se ao seu personagem em O Clone. Paralelamente à reestréia da série, a Globo lança o DVD com os quatro episódios de “A Grande Viagem”, com cenas inéditas e bastidores de gravação. “O argumento do seriado não envelhece porque o ponto central é a amizade entre duas pessoas radicalmente opostas. Enquanto um voa atrás de moinhos, o outro o puxa para o chão”, compara Fagundes, numa alusão aos personagens Dom Quixote e Sancho Pança, da obra de Miguel de Cervantes.