Renée Zelweger e Richard Gere:
premiados com o Globo de Ouro
por “Chicago”.

Com treze indicações ao Oscar, sendo o franco favorito para o título de melhor filme do ano na festa dia 23 próximo, Chicago estréia hoje no país. Outra estréia aguardada é O Pianista, concorrente em sete categorias do Oscar e já ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Sucesso estrondoso da Broadway, Chicago reafirma o gênero musical, cuja volta ao cinema foi assinalada por Moulin Rouge, estrelado por Nicole Kidman. Por Chicago concorre a atriz Renée Zellweger, no papel de assassina do amante, um gângster. Também vai parar na cadeia, a artista vivida por Catherine Zeta-Jones, acusada de matar a irmã e o marido, flagrados em adultério. E Richard Gere, já vencedor do Globo de Ouro ao lado de Renée Zellweger, interpreta um advogado pouco ético.

A transposição do musical para o cinema é de Rob Marshall, também candidato ao Oscar de melhor diretor, embora seja estreante. Chicago tem cenas marcantes, principalmente a de John C. Relly (no papel de marido de Renée) e Richard Gere quando transformam Renée em marionete.

Considerado mais consistente que Chicago, O Pianista é assinado por Roman Polanski, também indicado a melhor direção. A história, baseada no livro de título homônio de Wladislaw Szpilman, é real. Adrien Brody vive o pianista judeu que teve sua vida arrasada com a invasão alemã a Varsóvia. Mas sobreviveu e escreveu o livro. A atrocidade é derrotada pela música, ensina O Pianista. “É a história que procurei por anos”, disse Roman Polanski, também um sobrevivente do gueto de Varsóvia.

A história do pianista

Está nas livrarias, através da Editora Record, o livro considerado um dos melhores de 1999, O Pianista, de Wladislaw Szpilman. Conta a história de um judeu que viveu – e sobreviveu – ao gueto de Varsóvia, de 1939 a 1945. Um documento histórico e humano de uma das maiores tragédias do século XX, que inspirou o filme homônimo de Roman Polanski.

Publicado originalmente na Polônia, em 1946, esta obra-prima ficou injustamente esquecida até o final dos anos 90, quando foi traduzida para o inglês e adaptada para o cinema por Polanski, que transformou a obra num belo filme – que Szpilman, morto em 2000, infelizmente não chegou a assistir.

Esta edição brasileira, traduzida direto do polonês, preserva cada detalhe e atmosfera originais do livro. O Pianista é uma raridade. Poucos sobreviveram para narrar o horror da guerra e Szpilman está entre eles. Escrito de forma vívida e realista, imediatamente após a experiência do autor no gueto, revela uma história de esperança, sofrimento e vitória.

Nascido em 1911, Wladislaw Szpilman era um jovem e talentoso pianista judeu. Em 1939, no exato momento em que as bombas começaram a cair na capital polonesa, Szpilman executava o Noturno de Chopin, na Polskie Radio – seis anos depois, terminada a guerra, tocou a mesma peça para marcar a retomada das atividades da rádio. Esta é uma das muitas e emocionantes histórias relatadas. Era muito provável que o pianista tivesse o mesmo destino de muitos de seu povo, mas escapou, munido de uma desesperada vontade de viver. Já no gueto, escapou da deportação para o extermínio graças a um policial que admirava seu talento e o salvou no último momento. Anos mais tarde, quando o gueto foi novamente bombardeado, Szpilman sobreviveu mais uma vez e durante todo este tempo só não morreu de fome porque um oficial alemão, revoltado com a bárbarie praticada por seus companheiros, o ajudava.