Um dos expoentes da chamada ?Geração Oitenta?, o artista plástico Daniel Senise (Rio de Janeiro ?1955) abre temporada no Museu Oscar Niemeyer, com 23 pinturas contemporâneas dentro de uma poética em que reinventa a linguagem da arte ?de maneira mais pessoal?, como define. A exposição foi aberta na noite desta terça-feira (25) na presença do governador do Estado, de jornalistas e convidados, e ficará até 5 de novembro, de terça à domingo, das 10h às 18h.

Para Daniel Senise, o artista contemporâneo deve ir além e fazer opção por uma linguagem. ?Hoje, o artista não tem mais a proteção dos movimentos, como no passado. Além disso, tem também um quase esgotamento da originalidade, e isso faz com que deva optar por uma linguagem mais rarefeita da arte,?conceitua Senise, e reforça, que, por esta dificuldade, é necessário ?reinventar a linguagem da arte, sempre?.

A exposição tem a produção de Fábio Coutinho e curadoria de Agnaldo Farias. É organizada em séries. Na primeira o artista criou suas superfícies com tecidos e lençóis provenientes de um hospital e de um hotel. As duas séries restantes mostram pinturas históricas do artista e outras composições mais complexas, compostas pela utilização de elementos arquitetônicos. As três obras inéditas foram produzidas este ano, e o Museu Oscar Niemeyer apresenta em primeira mão ? Invasores I /2006, Tinta Acrílica sobre tecido sobre madeira, Invasores II e Invasores III/ 2006, também com a mesma técnica da primeira obra.

A mostra enfatiza a apresentação das obras realizadas nos últimos quatro anos. São monotipias retiradas por Senise de ?pegadas do chão?, realizadas pelo processo de impressão. Uma das técnicas consiste em colar tecidos ao chão, recortá-los em retalhos, em diferentes ângulos, para depois desenhar ou ?pintar? o espaço na tela por colagem.

?Daniel Senise é, sem dúvida, um dos principais nomes surgidos entre os artistas plásticos da chamada ?Geração Oitenta??, reafirma a diretora do Museu Oscar Niemeyer, Maristela Requião. ?O artista teve sua obra destacada na histórica exposição ?Como vai Você, Geração 80?, realizada no Rio, em 84?, conta a diretora, e prossegue dizendo que a exemplo dos grandes artistas, essa fase tornou-se um marco para um ininterrupto avanço. ?Suas obras ganharam outras significações e sua pintura, a experimentação de novas técnicas e processos, surgindo sempre nova e original?.

O artista formou-se na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e iniciou sua carreira estudando pintura com John Nicholson e Luiz Áquila. Atualmente, divide o tempo entre seus ateliês em Nova Iorque (EUA), e no Rio de Janeiro, participando ativamente do circuito internacional das artes visuais. Sinônimo de reconhecimento, as obras de Senise estão presentes em coleções dos principais museus dos Estados Unidos, da Europa e de outras partes do mundo.