Após cinco anos de espera, a reconstrução do Teatro Cultura Artística está prestes a começar. Essa é a promessa de Frederico Lohmann, superintendente da entidade. “Estamos na última fase de aprovação da proposta junto à Prefeitura e finalizando o projeto executivo”, diz ele. “A intenção é ter tudo isso pronto no início do ano e começar as obras no primeiro semestre.”

Ocorrido no último dia 1º, o fechamento da filial do teatro, que funcionava no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, sinaliza, segundo Lohmann, o primeiro passo dessa nova fase. “Fechar foi uma decisão estratégica”, considera. “Para concentrar recursos físicos e financeiros na construção.”

Se realmente for iniciado em 2014, o Cultura Artística levará cerca de três anos para ficar pronto. Com a conclusão em 2017, serão nove anos de intervalo entre o incêndio e a reinauguração. “Sempre gostaríamos que isso acontecesse em um prazo mais curto, mas esse é o tempo necessário para a maturação de um projeto dessa magnitude”, comenta o superintendente, fazendo menção a exemplos de reconstrução de teatros no exterior.

Na nova configuração, o teatro será três vezes maior que o original. Assinada por Paulo Bruna, a proposta arquitetônica prevê duas salas, uma com capacidade para 1.200 espectadores e outra para 200 pessoas. Também haverá acesso direto pela Praça Roosevelt e a promessa de que o edifício funcione como um centro cultural, aberto diariamente ao público.

Para concretizar esses planos, o valor estimado é de cerca de R$ 100 milhões, dos quais 30 milhões já foram arrecadados. São doações de mais de 400 pessoas físicas e jurídicas, a maioria delas viabilizada por meio da Lei Rouanet.

Mas, como conseguir o restante dos recursos se, em cinco anos, esse patamar não chega a 30% do necessário? A sociedade crê que, com as obras em andamento, um número maior de doadores estará disposto a ajudar. “Os R$ 30 milhões que temos são necessários para construir a infraestrutura básica”, assegura Lohmann. “E temos a sinalização de várias empresas.”

Idas e voltas

O restauro do antigo TBC – Teatro Brasileiro de Comédia está anunciado desde o final de 2008. Em 2009, o edifício que pertencia à empresária Magnólia Lago Ferreira foi adquirido pela Funarte, na gestão de Sérgio Mamberti.

Atualmente, os trabalhos de reconstrução já começaram. Mas quem passa diante do prédio não encontra máquinas ou operários. “Tivemos que interromper o restauro para resolver uma pendência com o Condephaat”, justifica o presidente da Funarte, Guti Fraga. De acordo com ele, a interrupção já dura cerca de 20 dias.

O órgão de preservação do patrimônio histórico estadual não teria concordado com uma alteração feita no telhado e com as cores propostas para a pintura da fachada. A expectativa da Funarte é retomar a reforma até o início de 2014. E entregar o prédio pronto, promete o presidente da instituição, em junho do próximo ano. “Tudo o que eu mais quero é entregar logo. É um símbolo de importância fundamental para o País.” Na década de 1940, o TBC marcou a modernização do teatro brasileiro, tendo reunido nomes como Cacilda Becker, Adolfo Celi e Paulo Autran.

No cargo há cerca de quatro meses, Guti Fraga comenta que ainda está se “familiarizando” com os assuntos da Funarte. Não sabe informar qual o valor a ser investido no edifício teatral nem a data de início das obras. “Ainda estou chegando”, diz ele.

Os planos iniciais anunciados para o novo TBC incluíam a seleção de espetáculos teatrais e a guarda de acervos. Fraga comenta que a proposta de uso do espaço ainda está em discussão. “O que não faltam são planos, ideias, delírios.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.