O corpo do poeta Ferreira Gullar, que morreu neste domingo, 3, aos 86 anos em decorrência de uma pneumonia, começou a ser velado na manhã desta segunda-feira, 5, no prédio da Academia Brasileira de Letras (ABL), no centro do Rio.

continua após a publicidade

Gullar tomou posse como acadêmico na casa há exatos dois anos. Colegas ressaltam sua alegria ao participar das atividades da ABL, na qual resistiu a entrar por mais de 20 anos, por considerar que não tinha o perfil adequado.

continua após a publicidade

“Foi o acadêmico perfeito. Aderiu 100% à academia, uma conquista extraordinária para nós. Pena que foram apenas dois anos”, disse o acadêmico Arnaldo Niskier. “Ele tinha uma visão estereotipada da academia, que é muito mais que um grupo de velhinhos tomando chá. Gullar foi da estirpe de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira. Aqui é o seu lugar”, enalteceu o presidente da ABL, Domício Proença Filho.

continua após a publicidade

A viúva Claudia Ahimsa contou que Gullar manteve-se lúcido e produzindo até os momentos finais. Ele deixou prontas três crônicas inéditas que ainda sairão no jornal Folha de S.Paulo. Uma era sobre a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e outra sobre arte. Numa terceira, ele reviu um texto antigo.

“Não deu tempo de ele escrever sobre a morte de Fidel Castro. Gullar foi um passarinho que cansou de voar”, contou Claudia. O velório deve durar ate 15h, quando o corpo segue para o Cemitério São João Batista, onde será enterrado no mausoléu da ABL.

Além de acadêmicos, estão presentes no velório amigos de longa data, como o poeta Armando Freitas Filho, o canto Fagner, o ex-deputado Fernando Gabeira, a cantora Adriana Calcanhoto e também funcionários de uma biblioteca comunitária em Xerém, na Baixada Fluminense, que leva o nome do poeta.

“Ele adorava ir lá, no aniversário da biblioteca ou no aniversário dele, fazer leituras para adultos e crianças. Ele se sentia muito à vontade”, relatou a professora Nilcelene Dias, voluntária da biblioteca. O corpo de Gullar foi velado na noite de domingo na Biblioteca Nacional, também no centro do Rio.