Começa amanhã o Festival de Cinema, Vídeo e Dcine de Curitiba

A partir de amanhã, a cidade será invadida pelos melhores curtas, médias e longas-metragens nacionais e internacionais. Todos os curitibanos vão se deparar com carrinhos de sonho (aqueles mesmos, que estão por toda a cidade vendendo sonhos de todos os sabores) andando pelas ruas convidando a todos para o 10.º Festival de Cinema, Vídeo e Dcine de Curitiba, que acontece de 12 a 18 de novembro.

O evento é aberto a todo tipo de público e tem uma programação especial para cada um deles. Além da Mostra Oficial, que terá exibições de mais de 40 produções acontecendo todas as noites no Cine Luz e na Cinemateca, durante o dia todos poderão participar de oficinas gratuitas e sessões de cinema. Tem o projeto A escola vai ao cinema, que vai levar, todas as manhãs, crianças de escolas municipais e ONGs para conferir oito curtas infantis. De acordo com Lancast Mota, que é curador do projeto, essa é uma oportunidade de as crianças conhecerem um pouco mais da cultura, do folclore, músicas e histórias do País. A coordenadora do festival, Cloris Ferreira, afirma que cultura e educação são as chaves para a saída da miséria e da exclusão social. ?Se as penitenciárias fossem substituídas por escolas de artes, a miséria seria muito menor?, diz Cloris, que afirma que esse projeto serve para aproximar essas crianças das artes. ?Tem muita criança na periferia de Curitiba que nunca viu uma tela de cinema. Então queremos trazer quem nunca teve essa oportunidade e despertar o gosto pelo cinema.? Os universitários também terão uma programação voltada para eles com o projeto Universidade vai ao cinema, em que alunos da PUCPR, Tuiuti, FAP, Evangélica e Unibrasil vão poder assistir a 27 filmes e participar de debates e palestras. ?Queremos criar uma platéia crítica, que saiba dar sua opinião e avaliação sobre os filmes brasileiros?, conta Cloris.

Animação

O 10.º Festival de Cinema, Vídeo e Dcine de Curitiba tem como destaque a animação. Serão exibidos mais de 50 produções de animadores. O apoio da difusão das técnicas se deve à parceria do Festival com o 3.º Encontro Nacional de Animadores, que acontecem paralelamente. Esse encontro, que foi idealizado pelo cineasta Lula Gonzaga, teve a sua última edição em 1988, em São Paulo. Quase 20 anos depois, animadores do Brasil inteiro voltam a se reunir em Curitiba. ?Se olharmos os números que envolvem o cinema de animação mundial, tanto metragens como cifras, a nossa capacidade criativa e o quanto participamos desse mercado, veremos que temos algumas montanhas de oportunidades pela frente?, avalia Lancast Mota que diz que esse encontro é uma oportunidade de os animadores discutirem idéias e promoverem o mercado.

Premiação

Os premiados já estão escolhidos desde o início de setembro, mas o festival preparou uma outra premiação durante a semana. São prêmios que serão distribuídos por diferentes júris: o público e a crítica especializada. Em cada sessão, o público vai poder dar as notas para cada filme. Segundo o presidente do júri da Mostra Oficial de Filmes, Esdras Rubin, o destaque são produções com muita criatividade, inovação e primor técnico. ?Nós decidimos premiar 14 filmes, escolhidos antes do festival, para permitir que a equipe responsável pelo trabalho pudesse estar no evento para receber a premiação?, explica Rubens. Segundo ele, essa também é uma chance de o público ter contato direto com diretores, roteiristas e outros profissionais do cinema de todas as partes do Brasil e do mundo.

Dificuldades

Dois anos se passaram desde a última edição do Festival de Cinema, Vídeo e Dcine de Curitiba. Em 2006, o evento teve que ser cancelado por falta de recursos. Este ano, o ?sonho não acabou?, como proclama o slogan da campanha publicitária. A produtora cultural, Cloris Ferreira, da Araucária Produções Artísticas, se uniu ao também produtor Victor Aronis e aos apaixonados por cinema Esdras Rubin e Lancast Mota, para consolidar a décima edição do festival. ?Trata-se de uma década de luta de quem acredita na difusão e divulgação do audiovisual de qualidade, produzido em nossa terra?, afirma Rubin, que durante anos dirigiu o tradicional Festival de Gramado.

A coordenadora do festival afirma que o evento é uma oportunidade de exibição e reconhecimento de bons trabalhos realizados em todo o Brasil. ?No Brasil, ainda vivemos uma lacuna quando se trata de espaços para os filmes nacionais, em especial, curtas e médias-metragens. Em Curitiba, o FCVDC quer dar espaço para as mostras e incentivar a busca por patrocínios e a visão de cinema como uma indústria?, ressalta Cloris. ?Nós imitamos os americanos em tantas coisas, por que então não imitamos a forma como eles tratam o cinema produzido por eles mesmos, dentro dos Estados Unidos??, questiona a produtora. ?Fico triste, acho injusta a forma como os governos estaduais e federal tratam a cultura no nosso País. Os grandes patrocinadores estaduais, como a Copel, já não nos patrocinam mais, e os grandes nacionais como Petrobras, apóiam somente festivais como o do Rio e o de Gramado?, conta. ?Por mim, eu faria um festival de cinema em cada bairro, para que cada vez mais pessoas tivessem acesso à cultura, para que o cinema a as artes fizessem parte do cotidiano de cada um. Isso seria o ideal?, diz Cloris. Ao contrário de muitas coisas no Brasil, sonhar não custa nada.

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