A primeira mostra realizada por coletivos fotográfico vai ser realizada no próximo final de semana, no Red Bull Station. Entre os dias 11 e 13 de novembro, a ocupação Foto_Invasão vai dar espaço ao trabalho de profissionais independentes em sete instalações que serão distribuídas entre o porão do prédio e as salas de residência. A curadoria dos profissionais Fernando Velazquez, Cris Veit, Ignacio Aronovich, Louise Chin e Clelia Bailly incluiu não apenas foto, mas também debate, performances e 64 projeções contínuas que serão vistas nos três dias.

Os coletivos que terão espaços específicos na exposição são Mamana, R.U.A., C.H.O.C. Documental, Remirar, Rolê, LigaLight, o francês Dysturb e o Lost Art. O organizador Ignacio Aronovich, que pertence ao grupo Lost Art, fala de um traço que desafia os participantes. “A ideia era romper com o conceito de exposição convencional de foto, que traz a imagem em uma parede branca na altura dos olhos.” É aqui que a história começa a ficar bem interessante.

O coletivo Mamana, formado só por fotógrafas, vai expor ideias sobre o processo do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Além das fotos fortes, muitas feitas em meio a embates entre policiais e manifestantes, haverá imagens nos vídeos de projeções que só poderão ser vistas por meio de óculos com lentes polarizadas. O coletivo R.U.A. vai expor, pela primeira vez, a desolação da tragédia ambiental de Mariana, com fotos em meio ao barro que remete ao próprio Rio Doce, castigado pela lama de rejeitos de mineração da Barragem do Fundão há um ano. Outro grupo, com experiência de dez anos na linguagem livre dos coletivos, o Rolê, vai levar uma imensidão de três mil fotos que serão espalhadas pela sala e disponíveis para quem quiser levá-las para casa. O Lost Art, de Ignácio, faz também de sua área uma instalação. Eles fotografaram 30 pessoas nuas e gravaram depoimentos sobre seus medos. Suas vozes ecoam nas salas enquanto as pessoas veem as imagens colocadas dentro de garrafas.

A formação dos coletivos mais politizados é um fenômeno recente no Brasil. Eles começam com as manifestações de rua em junho de 2013 e passam a ganhar força a cada levante popular. A linguagem que se vê neste universo mais liberto das demandas das redações de jornais quebra alguns tabus jornalísticos e aponta o dedo com mais firmeza para questões sociais. “A ideia da mostra é revelar o que tem de novo neste fotojornalismo, com suas outras formas de apresentar um fato”, diz a fotógrafa Gabriela Biló, que vive nos dois mundos como profissional do Estadão e integrante do coletivo Mamana.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.