O destaque de hoje no Fringe fica por conta do espetáculo Claudinho Brasil e Arquétipos: Impulso do Silêncio, único musical do Festival de Teatro, que será apresentado no bosque do Colégio Positivo Jardim Ambiental até o dia 30, sempre às 20h30. Ingressos a 10 reais (5 para estudantes).

Trata-se de uma improvável união da música primitiva com a música erudita contemporânea, numa espécie de reinvenção dos rituais de passagem dos índios guaranis. O resultado é uma performance não apenas musical, mas com incursões por praticamente todas as artes – cênicas, plásticas (cenário e figurinos) e de expressão corporal, encenada num bosque iluminado apenas com fogo (tochas e fogueira). “Aliás, não tem nada elétrico no espetáculo. Todos os instrumentos são acústicos, não existe qualquer amplificação, e a iluminação se resume ao fogo”, adianta Claudinho.

A intenção é mostrar para a sociedade contemporânea como os índios tratam a música. “E o bosque é o lugar perfeito para isso, pois leva o público à reflexão”, observa o artista. Ele conta que o público também é convidado a ficar em silêncio, e ouvir os ruídos do ambiente. “Os ruídos do bosque são, naquele momento, a música do espetáculo”. Quanto aos tais “arquétipos”, cada ator incorpora um símbolo arquetípico, o que segundo ele significa “o resgate do resquício arcaico que mora dentro de cada um de nós”.

A percussão é um elemento forte do grupo, que conta com três percussionistas, além de trompete, violino e piano. “O ritmo é essencial para enfatizar os elementos primitivos do homem e da música que trabalhamos”, justifica.

Claudinho Brasil e Arquétipos estreou no dia 1º de dezembro no Teatro Paiol, e em seguida recebeu convite para participar da programação artística da XXI Oficina de Música de Curitiba, em janeiro, ao lado de gente como Hermeto Pascoal. Estimulado a se inscrever no Fringe, Claudinho foi selecionado e não esconde a animação: “É a prova de que estamos trabalhando o conceito da arte total, incluindo música, teatro, dança e artes plásticas”.

Galpão

A outra aposta de hoje é O Homem que Não Dava Seta, montagem do grupo mineiro Galpão que teve a sua primeira sessão ontem ao meio-dia no Teatro José Maria Santos. A direção é de Chico Pelúcio, e no elenco estão Bárbara Campos, Paulo Azevedo, Clarice Peluso e Carlos Normando, entre outros.

Criado a partir do método “colaborativo”, o espetáculo retrata a decadência de valores da sociedade contemporânea a partir de um atropelamento. Música, roteiro e personagens são inspirados na linguagem cinematográfica. A peça fica em cartaz até o dia 29, em horários variados. Ingressos a 5 reais.

O Bosque do Positivo Jardim Ambiental fica na Rua Itupava, 985, no Alto da Quinze. E o Teatro José Maria Santos está localizado na Rua Treze de Maio, 655.