Produção variada

Cinema paranaense vive o seu melhor momento

A produção de filmes no cinema paranaense nunca foi tão rica e variada como agora. Temos documentário, ficção, experimental, animação… Apesar de ter menos verba que outros estados para a realização de filmes, o Paraná tem marcado presença nos principais festivais de cinema. Já se considera que os melhores filmes do Estado foram feitos nos últimos dez anos. E pode vir mais por aí.

A geração de cineastas que na década de 80 lutava para fazer curta-metragens agora produz seus primeiros longas. E toda essa produção se junta à nova geração de cineastas que vem se criando no Estado, fruto dos egressos de escolas de cinema e de uma massa crítica que influencia na qualidade estética dos filmes.

Se a produção já não é mais tão impossível assim, o mesmo não se pode dizer da distribuição, fundamental para que o grande público tenha acesso às obras. Pelo menos dois filmes paranaenses são muito aguardados para os próximos meses: Corpos Celestes, de Fernando Severo, e Curitiba Zero Grau, de Eloi Pires Ferreira.

O primeiro teve ótima recepção em festivais, ganhou prêmios e pode chegar ao público no segundo semestre. “As distribuidoras são todas de matrizes americanas, não muito simpáticas ao cinema brasileiro. Então tem que esperar o tempo necessário para conseguir uma boa negociação, ser paciente”, considera Severo.

Curitiba Zero Grau está saindo do forno (ou do freezer), tentando captar recursos para que seja distribuído. “Mesmo quando já se tem o recurso necessário na mão é demorado. Com roteiro e dinheiro para filmar, leva-se de um ano a um ano e meio para finalizar um filme”, conta Ferreira.

Para o cineasta, falta investimento na distribuição. “Fazer ficou mais fácil. Mas tem muito patrocinador em potencial que não investe em cultura, em cinema. Falta essa visão por parte do empresariado, que desperdiça oportunidade de estimular essas atividades”, critica.

Uma rara ocasião em que o público pôde escolher entre dois filmes paranaenses simultaneamente em cartaz nas salas de projeção comercial da cidade foi entre Estômago (de Marcos Jorge e O Sal da Terra (de Eloi Pires Ferreira). O filme de Marcos Jorge já é facilmente encontrado nas locadoras. O Sal da Terra, praticamente inédito em DVD, deve ser lançado nessa mídia em maio.

Outro importante representante da recente produção de longas paranaenses é Misteryos, de Beto Carminatti e Pedro Merege, inspirado em livro de Valêncio Xavier, que foi um dos maiores incentivadores dessa geração de cineastas, quando esteve na direção da Cinemateca.

A produção de Misteryos foi ousada, exigindo muita tecnologia em pouco tempo disponível para as filmagens. “A dinâmica de trabalho estabelecida teve que ser de uma competência irreparável. Optamos pela geração de lentes anamórficas, que pouca gente gostava de usar. Deu elegância ao filme, mesmo sendo uma produção de baixo orçamento (R$ 1 milhão)”, diz Carminatti.

O cineasta agora finaliza um longa sobre Valêncio, As muitas vidas de Valêncio Xavier. “Abrange as multifacetas do Valêncio. Uso a desestruturação que o Alzheimer (doença que Valêncio sofreu no fim da vida) causa como uma metáfora de desestruturação da linguagem”, adianta Carminatti.

FASES DA PRODUÇÃO

 5.ª fase: de 2003 até hoje
Entrada do cinema digital, o quecontribui para a proliferação de filmes no Paraná. Aumento de curta-metragens de enredo e produção de vários longas-metragens.

4.ª fase: 1992-2002<,br />Período do cinema da retomada, com o filme Cidade de Deus como divisor de águas. No Paraná, esse divisor vem com o documentário Visionários, de Fernando Severo, influenciando a nova geração. O Paraná começa a produzir com leis de incentivo. Em 1992 é criada a Associação de Cinema e Vídeo de Curitiba (Avec).

Além dos incentivos fiscais, a mão de obra se profissionaliza com a criação de cursos de cinema, como a Academia de Artes Cinematográficas – Artcine (1998), O Núcleo de Cinema da PUCPR (1993), a Especialização de Cinema da Universidade Tuiuti do Paraná (1996) e oficinas do Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba (1996), além de cursos no interior do Estado (Londrina, Umuarama e Cascavel).

3.ª fase: 1969-1991

Marcada pela produção alternativa, o movimento superoitista e a entrada do vídeo. O barateamento dos custos e a facilidade de manuseio do equipamento do Super-8 fizeram com que aumentasse o número de produções no Estado.

No fim da década de 60, a produção de documentários ainda era predominante, mas começava a dividir espaço com filmes de enredo. Em 1973 é criada a Fundação Cultural de Curitiba que, de maneira precária, se instalara no Teatro Paiol e lá fazia projeções de cinema.

Em torno dela se formou um grupo de interessados que gerou a Cinemateca do Museu Guido Viaro, com cursos e seminários sobre cinema, obtendo projeção nacional com pesquisa e recuperação de filmes antigos.

Alguns filmes ganharam prêmios nos principais festivais de cinema, como Dzien Dobre Panie (1974), de Ivens Fontoura; Pensamentos (1975), de Wellington Carlos, cineclubista em Maringá; e Cidade dos Executivos (1978), dos irmãos Wagner.

2.ª fase: 1931-1968

Marcada por forte influência governamental, com cinejornais estatais. Produção do filme Os índios xetás na serra dos dourados, por Wladimir Kosak e, no final da década de 1960, os primeiros longas-metragens, como Lance Maior, de Sylvio Back.

1.ª fase: 18971930
Primeiras exibições rudimentares cinematográficas em Curitiba, das primeiras filmagens de Anníbal Requião até a realização de Pátria Redimida, de João Baptista Groff, o mais importante do cinema paranaense antigo mudo. As primeiras filmagens eram produzidas por cineastas estrangeiros e abordavam o cotidiano.

Fonte: Site do ParanáCine (www.paranacine.com.br), baseado em pesquisa de Celina Alvetti.

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