Depois do trabalho denso do espetáculo Um corpo em Astor Piazolla, coreografia que estreou em novembro de 2006, em Curitiba, a coreógrafa Eliane Fetzer optou por algo bem mais leve para seu espetáculo do 1.º semestre. Em Kaludha, a Cia. Eliane Fetzer vai dançar a sonoridade e o significado das palavras. O grupo, que está mais moderno do que nunca, aposta nos movimentos desarticulados, rápidos e quebrados do corpo, em coreografias quase espontâneas.
Ao som da música de Nana Vasconcelos, marcada pela percussão e por referências da cultura brasileira, os bailarinos escrevem com sua dança o que as palavras representam. Para chegar neste resultado, o ponto de partida foi uma despretensiosa e curiosa busca no dicionário. Durante o passeio, Eliane deparou-se com cabuloso, tangenciar, inconveniente, obsessivo, buliçoso, descomedido e até mesmo o macarrão, palavras repletas de atitude, ideais para a coreografia. E, brincando com sonoridades e significados, o balé, de quase 20 minutos, acontece. ?Quis misturar as palavras com os movimentos em um espetáculo mais alegre e dinâmico?, diz Eliane.
Cenário e figurinos minimalistas de Paulinho Maia dão respaldo à proposta de Fetzer em valorizar o trabalho e o corpo dos bailarinos. Ao contrário dos últimos anos, o inédito Kaludha vai abrir a noite do dia 9, deixando Um corpo em Astor Piazolla para o final.
Quem fez aula de dança alguma vez na vida conhece a importância da contagem e dos compassos em uma coreografia. É essa marcação que dá a cadência de todos os movimentos e possibilita a sincronia entre bailarinos, para que todos dancem juntos. Coreografar algo sem contagem, deixando-se levar pela música, pode ser considerado, no mínimo, arriscado.
A Cia. de Dança Eliane Fetzer optou por esse risco, mostrando todo o aspecto orgânico dos movimentos, no espetáculo Um Corpo em Astor Piazolla, que estreou em novembro de 2006 e faz mais duas apresentações amanhã, em Curitiba.
O espetáculo tenta fugir do tango de Piazolla, gênero pelo qual o autor é mais conhecido, valorizando outras facetas de sua obra. São as músicas que dão a contagem de todos os movimentos e, por conta disso, o envolvimento dos bailarinos e da platéia é inevitável.
Serviço
Espetáculo de dança moderna Kaludha. Músicas de Astor Piazolla, hoje, no Guairinha, às 19h e 21h. Ingressos a R$ 5,00 (antecipado) e R$ 10,00.


