Duas exposições de grande impacto ocupam o Museu de Arte Contemporânea a partir de hoje: A Carne dos Deuses, do paranaense Rones Dumke, e The Cry of The Silence, em que o artista plástico português António Quintas, que estará presente ao vernissage, retrata o holocausto da II Guerra com sutilezas e contrastes.
Rones Dumke, um dos maiores nomes da arte contemporânea do Paraná, que inexplicavelmente ganha pela primeira vez uma individual no MAC, resgata um classicismo de forma inquietante. Ele assimila características de diversos estilos, como a pop art, o surrealismo ou o pré-rafaelismo, inserindo-se principalmente no estilo pós-moderno. Porém, com uma interpenetração própria de todos esses estilos em A Carne dos Deuses. Seus traços são minuciosos, próprios de quem é filho de relojoeiro.
Desta vez, Rones expressa o corpo e a metafísica em 21 imagens de desmembramento e escorchamento (ato de tirar a pele). São idéias associadas ao sátiro Mársias, que teve a pele arrancada ao perder uma disputa musical com Apolo. Outra idéia associada é a de Dionísio retalhado e devorado. Afinal, a carne do inimigo é alimento espiritual, segundo ensina a mitologia e a antropologia. A imagem do herói dilacerado emociona o artista e o espectador, e é nesse instante que a obra se torna arte.
The Cry of The Silence, por sua vez, reúne treze acrílicas sobre tela e dez aquarelas, nas quais António Quintas propõe uma metáfora do episódio que exterminou 6 milhões de judeus. As imagens só podem ser compreendidas à distância, graças à técnica de contrastes e manchas. Com isso, o artista, por acaso não-judeu, consegue distanciamento físico e conceitual. Para expressar com originalidade essa tragédia, Quintas buscou a dramaticidade nas cores preta e branca e no contraste de luz e sombras. O resultado é uma obra de figuração moderna, em que o uso de novas técnicas permite a participação ativa do espectador.
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Vernissage às 18h de hoje. Visitação até 8 de setembro, no Museu de Arte Contemporânea (Rua Des. Westphalen, 16).


