O escritor chinês Mo Yan, 57, é o vencedor do prêmio Nobel de Literatura 2012, anunciou hoje a Academia Sueca. Inédito no Brasil, ele era um dos autores mais cotados das bolsas de apostas para o prêmio. Ainda assim aparecia atrás do grande favorito, o japonês Haruki Murakami, do húngaro Péter Nádas e do irlandês William Trevor.

No ano passado, o Nobel de Literatura foi para o poeta sueco Tomas Tranströmer. Amanhã, a Academia Sueca encerra a semana de anúncios com o Nobel da Paz.
Mo Yan, que significa “não fale”, é na verdade o pseudônimo de Guan Moye. Filho de fazendeiros, nasceu em 1955 e cresceu em Gaomi, na província chinesa de Shandong.

Aos 12 anos, durante a Revolução Cultural, ele deixou a escola para trabalhar, primeiro na agricultura e, mais tarde, em uma fábrica. Em 1976, ele entrou para o People’s Liberation Army e, na mesma época, começou a estudar literatura.
A primeira história de Mo Yan foi registrada em um jornal literário em 1981 e seu romance de estreia, “Touming de hong luobo”, foi publicado em 1986 –na França, saiu como “Le radis de cristal”, em 1993.

Sua obra mais recente é o romance “Wa”, publicado na China em 2009 e na França em 2011, como “Grenouilles”, “rãs”, sobre as consequências da política do filho único em seu país.

É também autor de “Peito Grande, Ancas Largas” (publicado em Portugal em 2007 pela editora Ulisseia), entre outras sagas familiares. Cerca de dez de seus livros foram publicados em inglês, entre eles “Red Sorghum: a Novel of China”, tradução de “Hong gaoliang jiazu (1987), que foi adaptado para o cinema sob a direção de Zhang Yimou, e “Sandalwood Death”, tradução de “Tanxiangxing” (2001).

Segundo a Academia Sueca, Mo Yan foi reconhecido “por fundir, com realismo alucinatório, contos populares, história e contemporâneo”.