As aventuras de Chalaça, o amigo do imperador podem ser conferidas num albúm especial de quadrinhos, em livro, que está sendo lançado neste mês de julho. Baseada em fatos históricos, a obra faz um mergulho no tempo em que a família real viveu em terras tupiniquins, no início do século XIX. Com uma pitada do humor carioca de André Diniz e ilustrações do paranaense Antonio Eder, tem-se uma aula sobre história do Brasil com toques fictícios. Mas para que Chalaça se tornasse amigo do imperador, foi preciso atravessar mares, trilhar montanhas, além de contar com a sorte para escapar das diversas situações de perigo.

A história

Na mesma manhã em que a família real se preparava no porto de Lisboa para fugir para o Brasil, em março de 1808, Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, fugia do Exército Francês que o condenou, como espião, a morte. Após escapar de forma espetacular de um fuzilamento, Chalaça se misturou as embarcações de D. João VI e sua corte e seguiu rumo ao país tupiniquim.

O rapaz, que em Portugal estava prestes a se tornar um sacerdote, navegou por outros mares e acabou se tornando o amigo favorito de Dom Pedro. Apesar do ofício de dentista e sangrador (aplicando bichas ? sanguessugas com fins medicinais), graças a sua excelente caligrafia e ao que aprendeu no seminário – filosofia, latim, francês, inglês, italiano e espanhol – frequentava a corte e recebia vantagens em troca de seus ?serviços reservados? prestados a Dom Pedro.

A verdade é que o filho adotivo do ourives Antonio Gomes, arregimentava mulheres para Dom Pedro, sempre fazendo ?uso? das damas antes de passar a vez ao imperador. Até onde se sabe, a mais importante de todas as mulheres na vida de D. Pedro é Domitila de Castro, que mais tarde receberia o título de Marquesa de Santos. É fato histórico que Domitila e o imperador tiveram um tórrido romance. Mas alguns historiadores, como Cipriano Barata, acreditam que Domitila também era amante de Chalaça e que ambos estavam mancomunados para extrair de Dom Pedro o máximo possível de dinheiro.

Apesar de nunca ter agido às claras, sabe-se que é longa a lista de feitos do filho bastardo do Visconde de Vila Nova: ele teria sido um dos incentivadores da Independência e o primeiro a compartilhar a intenção de D. Pedro em proclamá-la; foi ghost writer do imperador escrevendo discursos, textos para jornais e até mesmo artigos inteiros da Constituição de 1824; organizou uma espécie de ministério paralelo que influenciava importantes decisões do Império.

Por conta de seu perfil alcoviteiro e oportunista, era tido como resposável pela preservação no poder do Partido Português. Por conta disso, ganhou muitos inimigos e acabou sendo afastado do Brasil. Na Europa, continua a servir Dom Pedro até sua morte, em 1834. Quatro anos depois, casou-se em segredo, em Berlim (Alemanha), com a viúva do imperador, Dona Amélia. Morreu em 1852, em Lisboa, deixando uma fortuna a seus filhos legítimos e ilegítimos. Um de seus filhos e biógrafo registrou as útlimas palavras do pai: ?Padre José, eu amei demais as mulheres e o dinheiro…?.

Curiosidade

Uma tentativa de mostrar ao público quem foi o personagem está em O Quinto dos Infernos, minissérie inspirada na obra de José Roberto Torero e exibida pela Rede Globo, em que o ator Humberto Martins encarnou o aventureiro de forma extremamente caricata. Já o quadrinho Chalaça, o amigo do imperador é inspirado em diversas obras e relatos documentados na cidade do Rio de Janeiro.

Serviço

Título: Chalaça, o amigo do imperador
Autores: André Diniz (roteiro) e Antonio Eder (desenhista)
Temas: quadrinho adulto
Áreas de interesse: educação, história do Brasil
Preço: R$ 25,00
Nº de páginas: 136 mais capa
Formato: 16x23cm