Antonio Carlos Jobim em Minas ao vivo – disco inédito gravado num show no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 1981 – podia ter sido registrado em qualquer lugar do mundo, mas é significativo que ele tenha nascido em Minas, terra das igrejas e das cachaças. Em voz e piano, o maestro visita a beleza e a força criadora que fazem pensar no divino (as igrejas) e a informal brasilidade de quem batuca macio com a ponta dos dedos no tampo de uma mesa de um bar qualquer de Ipanema (as cachaças). Tudo é épico, tudo é íntimo. É assim o promissor primeiro passo do selo Jobim Biscoito Fino, parceria do Instituto Jobim com a gravadora Biscoito Fino que tem como objetivo lançar gravações inéditas e relançar o catálogo do artista.
“Encontramos a fita na estante do papai, era uma gravação que eu desconhecia”, conta Paulo. Ouvindo o disco, fica mais fácil entender as palavras de Paulo. O Jobim, lançado ontem, que aparece ali é o essencial. Não só pelo repertório, que em 18 faixas passeia por clássicos da carreira do maestro (Desafinado, Se todos fossem iguais a você, Retrato em branco e preto, Corcovado, Águas de março, Garota de Ipanema, entre outras), mas sobretudo pela forma como elas são ali apresentadas.


