Carmen Miranda, a grande estrela do Brasil, jóia rara nos palcos e nos filmes, nascida em solo português, contudo, brasileira desde o primeiro ano de vida. Anteontem fez cinqüenta anos que nossa Pequena Notável, como era conhecida, faleceu nos Estados Unidos, país que fez da artista a maior estrela de seu tempo. Há quem diga que até hoje seu brilho não foi igualado por nenhum outro. Cheia de vida e sensualidade, ainda jovem conquistou a fama que até então ninguém havia conquistado.

continua após a publicidade

Com dezessete anos ela cantava e se apresentava em pequenas festas. Com dezenove gravou seu primeiro disco, Não vá simbora, de autoria de Josué de Barros, responsável por levá-la a atuar na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto. Com 21, Carmen fez sua primeira peça, Vai dar o que falar, e com 23, seu primeiro filme, O carnaval cantado no Rio. Nome fácil no cenário carioca, no ano seguinte recebeu o apelido de A Pequena Notável. Com 1,54m, cabelos castanhos e olhos verdes, assinou contratos, tornou-se a cantora de rádio mais conhecida no Brasil, e com 27 anos, recebeu o convite do produtor norte-americano Lee Shubert para estrear na Broadway. ?Com ela, o samba se tornou a língua universalmente falada no Brasil e o Carnaval, o golpe mortal naquela história de o brasileiro ser o produto de três raças tristes. Se era, deixou de ser, a partir do momento em que Carmen descobriu a alegria brasileira?, escreve o jornalista e escritor Ruy Castro em homenagem ao cinqüentenário de morte da artista.

Da alegria brasileira, aos trinta anos Carmen arranjou forças para aceitar o convite de estrear no principal palco do mundo, a Broadway. Sucesso instantâneo, anunciou a imprensa americana. Fácil de-mais para Hollywood, em seu quintal estava a estrela que estamparia os cartazes de cinema por longos anos.

Em 1940, a 20th Century Fox convidou Carmen para filmar Down Argentine way (Serenata tropical em Nova York). Depois vieram filmes como: That night in Rio (Uma noite no Rio), Weekend in Havana (Aconteceu em Havana) e Springtime in the Rockies (Minha secretária brasileira), onde canta a famosa O tique tique taque do meu coração. Após alguns anos e vários filmes, surgiu Copacabana, onde cantou Tico-tico no fubá e conheceu David Alfred Sebastian, com quem se casou. Em 1953 gravou seu último filme, Scared stiff (Morrendo de medo), em que contracenou com Dean Martin & Jerry Lewis e Dorothy Malone.

continua após a publicidade

Depois de 14 anos nos Estados Unidos, Carmen passou 49 dias no Rio de Janeiro, longe do trabalho. No dia 4 de abril voltou aos EUA e após uma viagem a Cuba, onde pegou uma bronquite, de volta aos EUA participou das gravações de um show para televisão com o ator Jimmy Durante. No dia da gravação, em 5 de agosto de 1955, numa reunião em sua casa, Carmen pediu licença aos convidados e subiu. Sozinha, teve um ataque cardíaco e faleceu enquanto tirava a maquiagem.

Homenagem

Em 1956 foi criado o museu Carmen Miranda, inaugurado apenas no dia 5 de agosto de 1976, no Rio de Janeiro. Segundo a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), o Museu vai passar por uma reforma técnica e modernização, com apoio da Caixa Econômica Federal. A assessoria da Funarj afirmou que os recursos já foram liberados. ?Em outubro terá início a exposição Carmen Miranda, que reunirá todo acervo do museu?, afirma o diretor do local, César Balbi. Entre as peças que compõe o acervo estão: trinta trajes de cena e sociais, bijuterias, sapatos, documentos, objetos de decoração e duas mil fotografias.

continua após a publicidade

O escritor Ruy Castro lança ainda este ano uma biografia de Carmen Miranda. Para a produção foram entrevistadas mais de seiscentas pessoas. O Ministério da Cultura (MinC) não programou nenhum evento oficial. Mais informações no site www.carmenmiranda.net.