O Festival de Cannes, que neste ano acontece de 12 a 23 de maio próximo, programou uma homenagem ao cinema brasileiro, com a exibição de sete clássicos do Cinema Novo. A homenagem contará com a presença do ministro da Cultura, Gilberto Gil, e dos cineastas Carlos Diegues e Nelson Pereira dos Santos, que comparecerão a uma festa brasileira programada para 17 de maio.

Trata-se de uma iniciativa da nova seção dedicada ao cinema restaurado, “Cannes Classics”, com cópias novas e, às vezes, material inédito, como os 40 minutos adicionados à versão do diretor de “The big red one”, de Samuel Fuller.

A homenagem ao cinema brasileiro comemora também os 40 anos da participação de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, no concurso de Cannes, que marcou o lançamento do Cinema Novo em nível internacional.

Gilberto Gil estará presente oficialmente em 17 de maio para a festa brasileira e nessa ocasião haverá a projeção de “Bye bye Brasil”, de Carlos Diegues, e “Vidas secas”, de Nelson Pereira dos Santos, com a presença dos diretores. O filho de Glauber, Erik Rocha, estará também presente e apresentará os filmes restaurados de seu pai (“Terra em transe”, além de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”).

Na seção oficial se apresentará o documentário de Silvio Tendler “Glauber, o filme, labirinto do Brasil”.

Outros filmes brasileiros que serão apresentados são “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, “O pagador de promessas”, de Anselmo Duarte (que ganhou a Palma de Ouro de Cannes em 1962), e “Dona Flor e seus dois maridos”, de Bruno Barreto.

Parte desses filmes serão exibidos em uma enorme tela ao ar livre na praia da Croisette, em uma iniciativa dos organizadores do Festival de Cannes para aproximá-lo do público em geral.

Curta inédito de Antonioni será exibido

A seção Cannes Classics apresentará, além disso, no último dia do festival, a nova versão restaurada do clássico mudo de Buster Keaton, “O general”, com música composta por Joe Hishai (colaborador habitual do cineasta japonês Takeshi Kitano). A música será executada ao vivo pela Orquestra Sinfônica de Cannes, dirigida pelo próprio Hishai.

A nova seção será dedicada não apenas a ressuscitar o glorioso cinema do passado mas também a apresentar obras inéditas, como o documentário “Lo sguardo di Michelangelo” (O olhar de Michelangelo), sobre a restauração do Moisés do escultor renascentista Michelangelo (1475-1564), assinado pelo cineasta Michelangelo Antonioni.

Mesmo debilitado em conseqüência de um derrame, Antonioni, de 91 anos, estará presente em Cannes para assistir a esse curta de 18 minutos e à cópia nova de seu clássico “Blow up” (1966).