A força do próximo passo vez ou outra está em enxugar os excessos. Abrir mão do infinito e entregar-se, nu, ao conceito mais simples possível. É o que faz o artista Momo em Cadafalso, seu quarto álbum, talhado a voz e violão, despido da psicodelia confessional que lhe traz atenção da crítica brasileira e estrangeira, desde 2006.

“É um disco em carne viva. Uma fratura exposta”, diz Momo – codinome de Marcelo Frota, carioca de 34 anos – sobre as soturnas faixas que exploram o formato canto e cordas com astúcia, tecendo música e poesia na lei de Baden e Caymmi e, ao mesmo tempo, criando um vazio singular para sua voz.

Em Cadafalso, disponível através de download gratuito, no site momomusica.com, dissonâncias, andamentos e dedilhados adornam o vocal de Momo. Canções suspiram melancolia, e a poesia de faixas como Cadafalso (“Ninguém vai morrer pela lâmina da faca, se o chão pode correr, cairei entre os teus braços”) cria meditações intimistas altamente eficazes.

“É cruel gravar um disco inteiro assim. A faixa batiza o disco porque fazer um trabalho de voz e violão é cair num cadafalso. Nunca me senti tão exposto, apesar de sempre falar de coisas muito autorreferentes, pessoais”, conta Marcelo. O disco é feito de canções próprias e parcerias com Wado, cúmplice desde os tempos em que integravam a banda Fino Coletivo.

Momo – Cadafalso – Grátis pelo site momomusica.com

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.