O compositor e escritor recebeu pelo livro Budapeste o 4.º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon, participou de uma conversa informal com autores e cantou, mesmo sem violão, junto com um público estimado de 5 mil pessoas no Circo da Cultura da Jornada Nacional de Literatura.

Chico Buarque estava desinibido, falante e tranqüilo desde a entrevista coletiva no final da tarde de anteontem. Por mais de quarenta minutos conversou sobre literatura, o livro premiado, música, cultura e, é claro, política. Tudo isso com câmeras, microfones, gravadores e uma porção de jornalistas na frente. E fãs que conseguiram entrar na coletiva e ganharam autógrafos e tiraram fotos ao lado do compositor.

À noite, no Circo da Cultura lotado, com um público estimado em 5 mil pessoas, Chico recebeu o Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura e participou de uma conversa informal com os escritores Ignácio Loyola Brandão, Júlio Diniz, Luís Coronel e Alcione Araújo. Budapeste foi o melhor romance em língua portuguesa publicado nos últimos dois anos e trouxe Chico à 11.ª Jornada Nacional de Literatura.

Na coletiva, ele respondeu a todas as perguntas e ainda brincou: ?Até esperava que perguntassem mais sobre a situação brasileira do que sobre literatura e não me recuso a falar. A alma do País está ferida. Há uma série de acontecimentos que estão mais ou menos sendo mantidos num lance subterrâneo e agora estão aflorando. Isso não é bom e, de certa forma, é bom porque estamos conhecendo uma coisa que já vinha acontecendo há bastante tempo e que talvez seja uma prática usual na política brasileira.? Chico considera a situação dolorosa. ?Agora, não é um momento agradável de se viver.??

Mas não foi somente sobre política que Chico falou. O motivo de sua vinda para a 11.ª Jornada Nacional de Literatura era justamente livros. E o seu Budapeste tem causado polêmica no meio literário. Mas ainda é um dos mais vendidos. O escritor justifica a idéia do livro dizendo que desde o princípio havia a idéia de se falar de uma incompreensão da língua. ?Muitas vezes você abre um jornal, vê um programa pela televisão e tem a impressão de não estar entendendo aquelas palavras, com a impressão de ser estrangeiro.?? Ele quis, então, falar sobre a estranheza das pessoas com relação a sua própria língua e do exílio de busca por uma língua, nacionalidade e identidade novas. ?Meu personagem vai para Budapeste, mas é brasileiro e fala português??.

Chico não conhecia Budapeste quando escreveu a obra vencedora do 4.º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura. Mas conta que foi emocionante ver a cidade pela primeira vez.