Num projeto da Paradoxx Music, a trajetória do músico gaúcho é revivida em Swingante e Brasil Afro-sulrealista. Neles, se encontra a cultura negra do Sul, o que parece estranho mas não é. “Em Porto Alegre sempre fizemos samba-rock, que no Rio é sambalanço e no Sul é swing. Esse som ficou pelas periferias, mas Simoninha o fez abrir de novo”, recorda Luís Vagner, que desde o mês passado vem realizando shows pelo Rio Grande do Sul e São Paulo.

“Swingante, repara o músico, tem uma acentuação diferente na guitarra, que mostra a influência do modo do negro tocar guitarra no Brasil. É diferente da pegada de Jorge Benjor, é também diferente da guitarra do samba-rock”. Nesse CD se percebe o negro rock de Litlle Richard e Chuck Berry fazendo ponte com o samba de Lupicínio e o baião de Gonzaga.

Luís Vagner, que aos 7 anos fez o papai maestro Vicente Lopes levá-lo para dançar num concurso de rock, quem diria, começou como baterista da orquestra Copacabana Serenaders. Depois fundou os Jetsons (1962) e os Brasas (1966).

Em carreira-solo, gravou com a Jovem Guarda e com a MPB. Nos anos 80, ele foi para a França. E, como integrante da Banda do Zé Pretinho, foi homenageado por Benjor na música Luís Vagner Guitarreiro. E, em 1992, voltou a morar em definitivo no Brasil.

Budista, encontra seu nirvana no reggae Brasil Afro-Sulrealsita, assim como no elepê de 1985, O Som da Negadinha-Ao Vivo, é dedicado ao reggae “como le gusta”. E a cozinha, a mesma que vai com ele aos palcos, é formada por Marcelo Bianca, Luís Américo Rodrigues, Marcos Farias, Luiz Carlos de Paula, Paulinho Cerqueira e Rick Carvalho. É swing, irmão, da maior qualidade.