Mais dois fatos importantes no 2008 da música em Curitiba. Um ano que já teve José Carreras e Seal ganhou duas atrações em junho – uma no teatro Positivo, outra no teatro Guaíra. Uma é dança e música, outra pode ser considerada ?música e dança?. Nos seus estilos, o Ballet Bolshoi e a cantora inglesa Joss Stone representam muito do que há de melhor na atualidade, e merecem casa lotada em suas apresentações.

Primeiro, chegará o Bolshoi. O balé russo, com mais de duzentos anos de história, não é mais o ?tabu? de décadas atrás, quando chegou a ser proibido de se apresentar na TV brasileira -porque seria um perigoso meio de instrumentalização comunista. Pode? Naquele tempo, ver uma apresentação do Bolshoi era um grande acontecimento, digno de registro nacional. Hoje, não é mais assim, por conta da internacionalização da dança e pela própria presença de uma escola da companhia em Joinville.

Mas o que poderia representar uma diminuição do valor do Bolshoi só valoriza sua presença em Curitiba – no dia 4 de junho, no teatro Guaíra. Ver uma apresentação do balé é entrar em uma outra realidade, é encontrar na dança uma forma superior de arte (ao contrário do que muitos pensam). Mesmo que seja, como neste caso, o grupo brasileiro, que apresentará Dom Quixote. O bailarino russo Vladimir Vassiliev, coreógrafo do espetáculo, já dirigiu o grupo principal do Bolshoi, e levou para esta apresentação a leveza e o brilho necessários para um grande evento.

Já Joss Stone, apesar do seu sucesso internacional, é uma novidade para os brasileiros. O show de Curitiba, no dia 18 de junho, no teatro Positivo, faz parte de sua primeira turnê pelo País. Ela passa, além da capital paranaense, por Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, e promete uma apresentação que seja um panorama de sua carreira, que mesmo recente é bem intensa.

Stone surgiu como um furacão há cinco anos. Jovem, loira, bonita, com uma voz incrível, ela lançou em 2003 o álbum The Soul Sessions, surpreendendo em um momento em que as garotas ou faziam sucesso no pop vendável (Christina Aguilera, Britney Spears) ou no jazz ?adulto? (Norah Jones, Jane Monheit). Ela era uma resposta sensacional do soul a todas elas. Tornou-se a trilha sonora de uma geração.

Com este aparecimento retumbante, era difícil que Joss Stone não sentisse o baque, ainda mais que tinha 16 anos. Tudo que fizesse seria analisado e bastante cobrado. Conseguiu se manter no topo com o segundo álbum, Mind, Body & Soul, do ano seguinte. Passada a divulgação deste disco, ?sumiu??.

Foram três anos sem gravar, até o emblemático Introducing Joss Stone, do ano passado, com a cantora já com provectos 20 anos. Era um recomeço, em uma major (a EMI). Alguns torceram o nariz para esta ?nova Joss Stone?, mas é a música que esta garota quer fazer. Fez sucesso, cruzou o Atlântico, e logo pintará por aqui.