O BNDES espera multiplicar por dez sua participação no setor de audiovisual e alcançar o volume de R$ 2 bilhões ao ano em desembolsos nos próximos anos. A meta foi apresentada ao setor pelo diretor de Indústria e Serviços do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Alexandre Da Costa, na manhã desta quarta-feira, 4, na Rio Creative Conference, evento que reúne produtores do Brasil e do mundo, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

“Nos últimos dez anos, o setor representou menos de 0,5% da movimentação do banco. A ideia é alcançar 2% das operações ou até mais. Se o Brasil acelerar sua participação em economia criativa, pode chegar a 5%”, disse, citando o potencial do país em segmentos específicos, como a produção de jogos, séries e animações.

De acordo com Costa, o mercado de audiovisual se mostrou bastante resiliente durante a crise econômica. Manteve a trajetória de crescimento e algumas produtoras, como Conspiração, Boutique e Mix, começaram a se internacionalizar. De forma geral, porém, as empresas ainda são pequenas, o que limita o tamanho dos empréstimos.

“Estamos na era exponencial. Em pouco tempo, essas empresas pequenas vão crescer e nos apresentar demandas maiores”, afirmou, frisando que o tamanho das empresas não é limitação para o BNDES, mas para o tamanho dos projetos que conseguem apresentar ao banco.

Para contornar as limitações das empresas, o banco está desenvolvendo novos produtos. Além disso, tem flexibilizado a exigência de garantias. Em alguns casos, avalia o risco de crédito, realiza uma análise prospectiva, que considera a projeção de crescimento da empresa para os próximos anos, e abre mão de garantias tradicionais.

“Historicamente, o BNDES é bastante conservador em relação a essas garantias, mas essa economia do futuro vai precisar de uma certa flexibilização, como fizemos no linha Procult”, disse, explicando que o Procult tem limite baixo, mas que já existe a possibilidade de liberar empresas que têm rating melhor da apresentação de garantias.