Mark Tremonti era o guitarrista da promessa do rock comercial. Em 1998, tinha 24 anos e sua banda, Creed, fazia sucesso com o disco de estreia, “My Own Prision”. Aos poucos, porém, a relação de Scot Step, o vocalista, com os outros integrantes do grupo foi se deteriorando, até chegar ao fim, em 2004. “As coisas pararam de ser divertidas. Tudo começou a dar errado”, diz Tremonti. Ao lado dos outros dois integrantes do Creed, Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria), ele se reuniu com o vocalista Myles Kennedy, atual voz do projeto solo de Slash, e criou o Alter Bridge. “Quando víamos que as coisas estavam se desgastando, eu já conversava com o Scott para voltarmos à ativa o mais rápido possível.” Logo no início a banda chamou a atenção pela presença dos membros do Creed. Aos poucos, eles ganharam seu próprio espaço. Deixaram de ser uma banda comercial.

“AB III” (Warner Music, R$24,90) é o terceiro disco do grupo, uma reinvenção. O primeiro single, “Isolation”, ficou sete semanas como a canção mais tocada nas rádios de rock americanas. O álbum, em si, estreou en 17º lugar na Billboard. A melhor colocação da banda.

Muito disso se deve à mudança de temática das letras. Uma rachadura se formou entre os dois primeiros discos, “One Day Remains” (2004) e “Blackbird” (2007), e o trabalho recente. Se antes havia uma preocupação em mostrar sentimentos bons, como superação da tristeza e da solidão, neste álbum o tema é mais sombrio e traz novos conceitos de morte.

No primeiro disco, Tremonti admite que eles ainda soavam muito como o Creed, mas hoje adquiriram uma independência sonora. O próprio nome da banda procura mostrar isso. “Alter Bridge era uma ponte lá da minha cidade, em Detroit. Quando eu era criança, nenhuma mãe deixava os filhos atravessar aquela ponte. Aquilo representava o desconhecido. Por isso escolhemos esse nome”, explica Tremonti, hoje com 37 anos, três vezes eleito o melhor do mundo pela revista Guitar World. Bem melhor do que ser só o guitarrista promessa de uma banda comercial.