A 25.ª Oficina de Música de Curitiba encerrou suas atividades ontem, com os últimos concertos de música popular brasileira. A edição histórica, a maior de todas, com 25 dias de cursos e concertos dos diversos gêneros musicais, consagra o festival de Curitiba como um dos mais importantes do Brasil. A oficina movimentou grande público em mais de 70 concertos realizados em teatros, bares, parques e igrejas, revelando a abrangência dessa iniciativa da Prefeitura e Fundação Cultural de Curitiba.

O Colégio Estadual foi a sede da maioria dos cursos de música erudita, eletrônica e popular brasileira, além dos cursos de blues, que este ano surgiu como uma das novidades. Os cursos contaram com participação de 1.744 alunos e 97 professores de 12 países: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Estados Unidos, Portugal, França, Suíça, Alemanha, Holanda, Rússia e China. As aulas ocuparam também as instalações do Canal da Música e das Ruas da Cidadania.

Os espetáculos foram realizados no Teatro Guaíra, Teatro da Caixa, Sesc da Esquina, Reitoria, Memorial de Curitiba, Ópera de Arame, Canal da Música, Clube Concórdia, Igreja Comunidade de Cristo, Igreja Presbiteriana, além dos parques São Lourenço, Barigüi, Jardim Botânico e Bosque da Fazendinha, e de diversos bares onde aconteceram apresentações de música eletrônica, blues e do Circuito Off da Oficina de MPB.

Erudita

Os primeiros dez dias foram dedicados à música erudita, que teve como um dos destaques a participação do violinista chinês Yang Liu, vencedor do famoso Concurso Internacional Tchaikovsky. Liu deu aulas de violino e participou dos concertos ao lado de outros músicos igualmente renomados, como os russos Natalia Alenitsyna, Pjotr Meshvinski e Evgeny Izotov, integrantes do St. Peterburg Trio. ?O aumento substancial de público dá uma idéia de como a Oficina de Música está sendo cada vez mais incorporada pela cidade?, diz a diretora artística Janete Andrade. Ela também destaca a importância dos cursos que são realizados nas Ruas da Cidadania. ?Esses cursos estão mais próximos da comunidade dos bairros e contam com o mesmo nível de qualidade dos realizados no centro.

No âmbito da música popular brasileira, os resultados são positivos. O número de alunos cresce ano a ano, como observa o músico Glauco Solter, que divide a direção de MPB com Sérgio Albach. Solter aponta como uma das peculiaridades da atual edição o resgate de músicos brasileiros que atuam na Europa. É o caso de Yuri Daniel, Ademir Cândido e Raul de Souza, que não são tão conhecidos no Brasil quanto no exterior. ?É importante que o público brasileiro reconheça esses talentos?, diz o diretor.

O Circuito Off, que acompanha todas as edições das Oficinas de MPB, foi palco de muitas apresentações que não estavam na programação oficial. O circuito movimentou pelo menos quinze bares, havendo noites com até oito shows diferentes em vários locais.

Inovação

Dois segmentos têm garantido a inovação da Oficina de Música de Curitiba: a música eletrônica e o blues, este ofertado pela primeira vez. A oficina voltou a dar abrigo, pelo segundo ano consecutivo, ao gênero que representa uma das mais modernas tendências musicais. A música criada e produzida por meio de equipamentos eletrônicos reúne muitos adeptos. Na oficina, com a coordenação de James Pedroso, 32 alunos participaram de cursos de introdução à discotecagem, história da música eletrônica, Live PA, produção, VJ e DVD, com DJs famosos como Edgar Scandurra, Nego Moçambique, Raul Aguilera, Gadotti, Leozinho & Paciornik.

Os mais importantes músicos de blues do Brasil estiveram na 25.ª Oficina de Música de Curitiba. André Christovam, Fábio Zaganin, Mário Fabre e Flávio Guimarães deram aulas durante uma semana e encerraram a sua participação no evento com um grande show no Teatro da Reitoria. O espetáculo também serviu de confraternização com os músicos paranaenses que se dedicam ao blues Décio Caetano, Endrigo Bettega, Benê Jr, mais o baixista Kosta Matevski, sérvio naturalizado brasileiro.