São Paulo – Uma das explicações para o fenômeno da proliferação dos shows internacionais no Brasil seria a baixa vendagem de CDs, dizem executivos da indústria fonográfica. O mercado, em baixa, levaria os artistas a fazer mais shows e turnês para incrementar sua receita. Isso estaria provocando ainda um outro comportamento. Com o aumento da oferta, não há mais ?leilões? de artistas entre os empresários, o que encarecia e até impossibilitava, num passado recente, certas turnês. Foi por causa de um leilão dessa natureza que, em 1998, o U2 tornou-se um dos mais caros cachês de rock já pagos na América Latina, US$ 8 milhões. ?Claro que há também o fator do dólar mais baixo, que tornava impossível negociar turnês?, diz Rafael Reisman, empresário que realiza os festivais Brasília Music Festival e SP Music Festival.

Pressionadas pela pirataria de CDs e a chegada dos novos formatos, como o MP3, as vendagens de discos seguem baixas, muito inferiores às que-se registravam há alguns anos. No Brasil, os ?medalhões? da MPB já não rompem a barreira do 1 milhão de cópias vendidas.

Segundo dados da gravadora Universal Music, Caetano Veloso, com seu disco de covers A Foreign Sound, lançado em abril de 2004, vendeu 105 mil unidades até agora. O disco de Sandy e Junior, Identidade, lançado em outubro de 2003, vendeu 320 mil cópias. O peso pesado do samba, Zeca Pagodinho, vendeu 90 mil cópias do seu novíssimo À Vera (embora esteja há apenas um mês nas lojas) – seu álbum anterior, o Acústico MTV, lançado em outubro de 2003, vendeu 550 mil unidades (apenas do CD).