Fotos:Cinema em Cena
Babel é favorito, pois já chegou a ganhar outros prêmios importantes.

Está aberta a temporada de vestidos estonteantes, corpos cuidadosamente esculpidos e pele impecável: as seis semanas que separam a entrega do Globo de Ouro até a esperada cerimônia do Oscar, marcada para hoje à noite, são o tempo necessário para que um exército de figurinistas, esteticistas, cabeleireiros e personal stylists prepare atrizes, diretoras e profissionais de diversas áreas do cinema para que, durante sua passagem pelo tapete vermelho, tenham alguns segundos de glória. Mesmo que, depois da cerimônia, apenas uma privilegiada minoria leve para casa a desejada estatueta careca.

Los Angeles (AE) – ?Seis semanas é o tempo necessário para se transformar em uma deusa?, garante Jimmy Coco, especialista em bronzeamento artificial, que contabiliza mais de 50 mulheres passando por sua varinha de condão antes de se exibir na entrada do Kodak Theatre. Assim como a indústria do silicone, que torna sexy qualquer busto ou bumbum esquecido por Deus, ou as sofisticadas marcas de cremes para a pele, responsáveis pelo milagre de maquiar a celulite e recuperar qualquer cútis cansada de guerra, o bronzeamento de Coco é considerado um poderoso aliado na luta pela beleza eterna, especialmente pelo fato de o passeio pelo tapete vermelho ocorrer durante o dia – começa às 15 horas, pelos ponteiros de Los Angeles.

Filme

Dreamgirls também está na briga por uma estatueta.

Concorrem ao prêmio principal dois filmes de estúdio e dois independentes, mais um que, pela própria natureza do projeto, implica um conglomerado internacional – a cara deste mundo globalizado. Os indicadores apontam para Babel, do mexicano Alejandro González Iñárritu. O filme já ganhou prêmios importantes, incluindo o do SAG, o Screen Actors Guild, como melhor conjunto de interpretação. Como os atores formam o maior colegiado da Academia de Hollywood, é bem possível que Iñárritu leve seu Oscar de filme (mas não de direção).

Ator

Esse prêmio vai dar discussão. No começo falou-se muito que havia chegado a hora de um galã que não tem medo de embarcar em projetos arriscados – Leonardo DiCaprio. Depois, a candidatura esvaziou-se. E isso, muito em função da subida de Forest Whitaker na cotação da bolsa de apostas do Oscar. Não sem motivo: Whitaker está tão convincente na sua caracterização do ditador de Uganda Idi Amin Dada que chega até a colher comentários contrários. ?Interpretação maneirista?, ouve-se dizer em alguns círculos críticos. Mas não se deve dar muita atenção a eles – Whitaker faz um senhor trabalho em O último rei da Escócia, apesar de o filme, em si, levantar algumas dúvidas. É o favorito.

Acontece que disputa a estatueta com um peso pesado em grande trabalho: Peter O?Toole está nunca menos do que magnífico no papel do velho ator que tenta seduzir uma ninfeta desmiolada em Vênus.

Atriz

O inusitado Borat concorre ao prêmio de melhor roteiro adaptado.

Na entrevista que deu à Agência Estado em Berlim, Cate Blanchett foi definitiva – disse que, há anos, a Academia de Hollywood não possui uma lista tão boa de finalistas para o Oscar de atriz. Qualquer uma das cinco indicadas poderia ganhar e não haveria a menor possibilidade de alguém ficar proclamando que houve injustiça. Helen Mirren é a favorita, tendo recebido uma chuva de prêmios, desde que A rainha foi exibido no Festival de Veneza do ano passado.

Grande Helen. Sua Elizabeth II não é apenas perfeita, como exterioridade. Ela cria, com a cumplicidade do diretor Stephen Frears, um interior complexo (e fascinante) para a personagem. As demais indicadas, como pretende Cate Blanchett – e há de se concordar com ela -, não são menos extraordinárias. Meryl Streep já ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz de comédia por O diabo veste Prada, Penélope Cruz beneficiou-se do prêmio conjunto de interpretação feminina em Cannes, por Volver.

Coadjuvante

O que se busca numa premiação do chamado ?elenco secundário?? Aquele tipo de performance que, embora não esteja teoricamente em primeiro plano, acaba se destacando pelo talento do profissional. Há especialistas em papéis coadjuvantes, famosos ?ladrões de cenas?, aqueles atores que a gente fica torcendo para que apareçam mais vezes durante o filme porque sua presença em si é fonte de prazer para o espectador. É o caso, sem dúvida, de Alan Arkin em Pequena Miss Sunshine. No papel do avô malucão de uma família disfuncional, Arkin brilha, dá show e, ao mesmo tempo, consegue humanizar seu personagem. Ele nunca é uma caricatura, e suas intervenções ao longo da trama são brilhantes. Ele é o grande favorito.