A melhor amiga de Nathalie Kerr (Audrey Tautou) não consegue aceitar que ela se apaixone por um homem feio, estranho e que seja seu subordinado no trabalho. Depois da trágica morte de seu noivo, Nathalie, que trabalhava num pequeno teatro vendendo livretos com os programas das peças, mudou completamente de vida. Nathalie passou a dedicar 100% de seu tempo ao novo trabalho, num escritório de advocacia, até se tornar uma das sócias. Sua vida parecia sem sentido e vazia pela morte do noivo até que o “feio e estranho” subordinado surgiu. A amiga de Nathalie, assim como todos a sua volta, acredita que ela deveria namorar alguém bem sucedido.

Sublime e delicado – para usar um dos adjetivos do título – o filme “A Delicadeza do Amor”, que estreia nesta sexta-feira, é dirigido pelos franceses David Foenkinos e Stéphane Foenkinos e baseado no romance “Delicadeza” (Ed. Rocco), de autoria do próprio David. No enredo, somos apresentados a essa improvável história de amor. Mas, o que os amigos de Nathalie não percebem é que esse amor está além das aparências. Markus (François Damiens) é um sueco desengonçado, com barba desgrenhada e calvície precoce, além de se vestir mal. Mas ele é engraçado, simpático, educado e capaz de fazer Nathalie feliz novamente.

Uma das cenas mais fortes do longa talvez seja quando Nathalie volta para casa sozinha após o enterro do noivo. Sem nenhuma trilha sonora a recorrer, vemos a personagem sentada, sozinha, em casa, observando seu livro aberto na página que lia no momento em que soube da morte. Em seguida, ela pega o celular e tenta apagar o nome dele da agenda do telefone.

A dicotomia do longa reside justamente no fato de que Nathalie tinha uma vida de sonhos, e formava com o noivo o casal perfeito – ele era bonito, inteligente, descolado. Ou seja, perfeitamente adequado ao que a sociedade esperaria de um casal jovem, completamente diferente do que ela passou, mais tarde, a ter com Markus.

A atuação de Damiens talvez seja o grande destaque. Audrey Tautou, eternamente conhecida como a intérprete de Amélie Poulain, tem uma atuação competente e seu jeito meigo dá o tom perfeito da comédia romântica. É, porém, quando Damiens entra em cena que o longa ganha vida. Certamente o público, espectador privilegiado dessa relação de amor, entenderá perfeitamente, ao contrário da desconfiança dos amigos dela, o porquê de Nathalie decide ficar com Markus.

Esqueça, porém, das piadinhas ou da sucessão de situações engraçadinhas que permeiam outras comédias românticas de Audrey, como “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001). A pegada de “A Delicadeza do Amor” não é essa. Nathalie não é uma garotinha ingênua. Ela é depressiva, focada no trabalho e praticamente isolada do mundo. As informações são do Jornal da Tarde.