Elena Toledo: ?Quando falei do
Brasil, queriam saber se eu
iria aparecer pelada?.

Elena Toledo já estava arrumando as malas para voltar para a Venezuela quando o diretor Wolf Maya apareceu com um convite para atuar em Kubanacan. Ela e a uruguaia Nádia Rowinsky foram as únicas remanescentes do elenco estrangeiro de Vale Todo, “remake” da obra de Gilberto Braga que a Globo produziu em 2002 especialmente para o mercado hispânico nos Estados Unidos. Elena não quis desperdiçar a oportunidade de trabalhar com atores brasileiros, pois Vale Todo só tinha profissionais de fora do país. Ao saber que iria viver uma moça de “vida fácil”, a atriz lembrou imediatamente das perguntas que cansou de ouvir quando soube que viria trabalhar no Brasil. “Todos queriam saber se iria aparecer pelada na tevê. Muitas pessoas fora do Brasil acham que aqui todo mundo fica nu nas novelas e, claro, não é bem assim”, diverte-se a atriz, nascida em Caracas há 29 anos.

Elena não fica nada constrangida de estar na pele da romântica Niña, uma das “meninas” protegidas por Enrico, papel de Vladimir Brichta. E a atriz até diz que toparia fazer cenas mais ousadas em Kubanacan, mas ressalva que o diretor teria de convencê-la de que elas seriam necessárias. “Se for para a minha cena ficar mais bonita, faço sem problemas. Mas não pode ser algo vulgar e gratuito”, avisa. Na verdade, Elena ainda não foi escalada para nenhuma cena mais ousada em Kubanacan, mas a atriz já está na mira da Playboy para um apimentado ensaio, ao lado das colegas Márcia Mancini e Adriana Tolentino, que completam o inseparável trio de profissionais da novela das sete. Elena garante que na Venezuela não é como no Brasil, onde é comum as atrizes de tevê tirarem a roupa em revistas masculinas. Por isso, diz que está indecisa se vai aceitar ou não o convite da revista. “Minha mãe não quis nem que comentasse o assunto com ela”, conta.

Mas Elena está feliz, pelo menos, com a exposição cada vez maior de sua personagem em Kubanacan. A atriz diz que isso está dando confiança a ela para falar mais e melhor o português. Elena elogia os atores brasileiros justamente pela maneira mais “realista” com que incorporam os personagens e o profissionalismo do elenco, por já estar com todos os diálogos na ponta da língua antes das gravações. “O Brasil tem uma trajetória de décadas na produção de novelas e dá para sentir na postura dos atores. É justamente esta experiência que quis ver de perto”, explica a atriz.

A carreira de Elena na televisão começou em 2000 com a novela Muñeca de Pano, da emissora Venevision. A atriz vivia a personagem Angel, que era amiga da protagonista da trama. Logo depois, emendou três novelas na emissora Rádio Caracas. Na primeira delas, ganhou o primeiro papel de maior destaque em Mis Três Hermanas. Era a ardilosa Carolina, uma atriz que passava a trama inteira tentando ter um caso com um diretor casado. Já em Angelica Pecado, Elena interpretou uma garota milionária que acabava se viciando em todo tipo de drogas. A atriz lembra, no entanto, que a personagem Giovanna nunca apareceu usando drogas em cena porque o público venezuelano ainda não aceita tanto “realismo” nas novelas. “Foi tudo muito light”, recorda. Em Viva la Pepa, Elena viveu as agruras da advogada Lissete Pinto, encarregada do processo de divórcio dos protagonistas da novela. A atriz também apresentou o Sabia Hoste?, da Telemundo. “É um programa de variedades que até hoje é exibido nos Estados Unidos”, explica.

Elena conta, no entanto, que foi a participação em Vale Tudo que abriu o mercado hispânico para ela nos Estados Unidos. A atriz interpretou a rica Isabel, personagem que não existia originalmente e que acabou se apaixonando por um mexicano que entrou clandestinamente na América. O drama do casal foi bem aceito pelo público hispânico dos Estados Unidos e Elena tem recebido vários convites para fazer outras novelas da Telemundo. “Agora, quero mais é aprender com os brasileiros para me diferenciar de outras atrizes hispânicas. Aqui, se produz a melhor novela do mundo”, elogia.

Noveleira

Elena Toledo é noveleira assumida. E jura que sempre acompanhou as produções brasileiras exibidas na Venezuela, como Pantanal, Por Amor, Força de um Desejo e Laços de Família. A atriz acredita que a principal diferença das produções feitas no Brasil e as de seu país é que por aqui as novelas estão mais ligadas à realidade e que, por isso mesmo, os personagens podem tomar atitudes mais críveis. Mas a atriz ressalta que as produções da Venezuela e da Colômbia, por exemplo, estão ficando menos fantasiosas e mais semelhantes às novelas brasileiras. “Estamos nos distanciando aos poucos dos ?dramalhões? tradicionais do México”, assegura.