Havia grandes interpretações, especialmente femininas, na Berlinale. Em fevereiro. Alba Rohrwacher poderia muito bem ter bisado a Taça Volpi que recebeu em Veneza, no ano passado, por seu papel em Hungry Hearts, dirigida por seu companheiro, Saverio Costanzo. Alba é excepcional em Virgem Juramentada, de Laura Bispuri, que integra a programação da Mostra. Alba poderia e talvez devesse ter ganhado, até como forma de recompensar o belo filme de Bispuri. Mas ninguém reclamou quando o júri outorgou os dois prêmios, melhor ator e atriz, ao casal de 45 Anos. O filme do inglês Andrew Haigh é muito bom. E o casal, excepcional, é formado por dois ícones, Charlotte Rampling e Tom Courtenay.

A história é de um casal que deixou de festejar seus 40 anos de união e agora planeja uma grande festa para os 45. Mas ela descobre essa carta que diz que um antigo amor do marido, uma mulher que morreu há muitos anos, teve o seu corpo encontrado, intacto, na neve. Esse cadáver eternamente jovem vem perturbar o que seria a celebração, e aliás não há o que celebrar. Apesar da festa programada, o casamento está se desintegrando. Andrew Haigh conversa pelo telefone com o repórter. Está em São Francisco. Por que os EUA? O cineasta já está em plena campanha do Oscar para seus atores?

“Gostaria muito que eles ganhassem, menos por mim e pelo filme, mas por eles, que se integraram ao projeto com tanto entusiasmo. São Francisco tem sido minha casa nos últimos dois ou três anos por causa do show (série) Looking.” Antes de virar diretor, Haigh foi produtor de filmes como Gladiador, de Ridley Scott. Ele produz Looking, e a série, planejada para duas temporadas, ganhou elogios pela forma como aborda as vidas de três amigos gays em São Francisco.

Haigh jogou fora a chave do armário há tempos. É gay assumido. Conta que, ao adaptar a short story de David Constantine, já pensava em Charlotte para o papel. “Tinha de ser uma mulher que exibisse as marcas do tempo sem ter perdido a beleza. E, dadas as sutilezas do roteiro, não poderia ser só uma atriz bonita. Tinha de representar. Charlotte reunia todas as qualidades. Quando ela aceitou, senti que já tinha meio filme. Mas ainda precisava do ator. Comecei a fazer combinações. Tom (Courtenay) foi a melhor solução. É tão icônico como Charlotte.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.