Num trabalho que envolveu cerca de 15 anos de documentação de imagens e quatro anos de pesquisas, o fotógrafo Zig Koch e a jornalista Maria Celeste Corrêa contam o “era uma vez” do pinheiro que formou a maior floresta do Sul do país. A história é contada no álbum e na exposição Araucária-A Floresta do Brasil Meridional, com lançamento hoje, às 19h30, no átrio do Cietep.

Esta é uma história que precisava e merecia ser contada. E envolveu treze consultores científicos e dezenas de colaboradores, resultando numa extensa documentação fotográfica, com mais de cinco mil imagens. Cerca de 200 fotos estão no livro e 45 ilustram a exposição, que será doada para a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem.

“Quanto mais eu fotografava mais compreendia o brutal ritmo de destruição que envolveu a floresta. Com este projeto, queremos documentar este processo e alertar a sociedade para que lute pela preservação dos últimos remanescentes deste ecossistema”, destaca Zig Koch. Já a pesquisa exigiu leituras de centenas de livros, revistas, trabalhos científicos e jornais, além de alguns sites. “Todos os dados que envolvem esta floresta são impressionantes, desde a grandiosidade do bioma até os inúmeros conflitos que envolveram a posse e a ocupação da terra, revelou-se uma verdadeira saga, sob o ponto de vista histórico e ambiental”, diz Maria Celeste.

A araucária formava uma floresta de de 200 mil km quadrados no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da ocorrência em áreas menores em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Patrimônio natural, fonte inspiradora de artistas, viajantes e pesquisadores por vários séculos, a Floresta com Araucária sofreu um brutal processo de degradação e destruição no século XX. O período mais intenso de destruição começou durante a I Guerra e estendeu-se até os anos 60. Sua área equivalia a 457 vezes o tamanho de Curitiba. Restou um pedaço de floresta igual a apenas sete vezes o tamanho da cidade.

0 belo álbum aborda a formação dos pinheirais desde o surgimento do primeiro antepassado da araucária, há 250 milhões de anos, passando pela riqueza da flora e da fauna, revelando o modo de vida de seus primeiros habitantes, os Kaingáng, e delineando a ocupação do território pelos colonizadores, bem como a exploração comercial da madeira. E mapeia outros países em que há ocorrência de Araucária.