As vésperas da guerra contra o Iraque foram marcadas pelo surgimento de um “neomacartismo” nos EUA, com a publicação de “listas negras” dos artistas que se opõem ao conflito, e dois deles, Martin Sheen e seu filho Charlie, tiveram cancelado um contrato de publicidade com a empresa de cartões de crédito Visa.

O jornal sensacionalista “New York Post” foi o primeiro a publicar uma lista dos “pacifistas de Hollywood”, convidando o público a boicotar filmes e shows de artistas “que se opõem a que o Iraque se liberte do assassino de massas Saddam Hussein e seus acólitos estupradores”.

“Não ajude esses amantes de Saddam”, conclama o jornal, que oferece aos leitores uma lista de próximas estréias com notórios ativistas contra a guerra no Iraque, como Tim Robins, Laurence Fishburne e Sean Penn (em “Mystic river”), Samuel L. Jackson (em “Basic”) e Alfred Woodard, que tem somente um papel secundário em “The core”.

“Pontos de ônibus de toda a cidade têm cartazes de ?Good fences?, com Danny Glover (outro conhecido militante pacifista), mas certamente há melhores formas de gastar dez dólares”, diz o “Post”. Quanto a uma das mais famosas artistas vistas nas manifestações contra a guerra, Susan Sarandon, o jornal é ainda mais direto: “Ela pode ser boicotada deixando-se de assistir à minissérie ?Children of the dune?, transmitida pelo canal Sci-Fi”.

Os músicos também não escaparam do diário, que citou Sheryl Crow, o grupo Limp Bizkit e Jackson Browne, indicando em cada caso os locais onde tocarão nas próximas semanas. Segundo o jornal, Browne iniciará em breve uma turnê “no único lugar onde ainda tem fãs, a Alemanha”.

Além do caso do clã Sheen, outros artistas sofreram represálias concretas por se oporem à guerra. Uma das cantoras do grupo country Dixie Chicks, Natalie Maines, disse recentemente em Londres que se sentia “envergonhada” pelo fato de que o presidente George W. Bush fosse texano como ela. Imediatamente, estações de rádio de todo o país tiraram as Dixie Chicks da programação, e só suspenderam o castigo depois que Maines pediu desculpas pela declaração.