A Secretaria de Cultura do Estado do Paraná realiza a mostra ?Arquitetura do Isolamento em Curitiba na República Velha? que está aberta no Museu Paranaense (Rua Kellers, 289 ? Alto São Francisco). A exposição apresenta as instituições de isolamento surgidas em Curitiba durante a República Velha, e como os portadores de doença contagiosa ou mental, menores abandonados ou delinqüentes, idosos praticantes da mendicância e criminosos, eram recolhidos em edifícios que tinham por objetivo retirá-los do convívio com a sociedade – e inseri-los em um processo de reabilitação. Estão sendo apresentados objetos, documentos dos confinados, fotos, jornais de época, e peças usadas em hospitais de isolamento como o lençol de contenção (camisa de força) e o aparelho de eletro-convulso-terapia (eletro-choque).

Para discutir sobre o assunto da exposição, será promovido na próxima quarta-feira, dia 19, às 18 horas, no Auditório do Museu Paranaense, o seminário ?Controle, Disciplina e Isolamento em Curitiba na República Velha?, que será dividido em duas partes. A primeira será ministrada pela professora Maria Ignês Mancini de Boni, doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP), que irá tratar do controle e estratégias de disciplina pelas instituições de isolamento na sociedade, e a constituição dessa rede de instituições para as chamadas ?classes perigosas?, em Curitiba, no início do século 20, no período da República Velha.

Na segunda parte, Elizabeth Amorim de Castro – arquiteta e doutoranda em História pela UFPR, que escreveu o livro A Arquitetura do Isolamento em Curitiba na República Velha – vai abordar em sua palestra as instituições que vieram a partir desse controle e disciplinização até os dias atuais. Na ocasião ela vai explicar como ocorreu o processo de urbanização da cidade e a criação das instituições que existem até hoje.

A idéia de Elizabeth era fazer uma mostra itinerante para explicar de forma sucinta como funcionam as instituições de isolamento que tinham por objetivo promover um processo de reabilitação (físico ou mental) baseado na disciplina, no trabalho e no controle e vigilância da vida dos chamados ?degregados? sociais. ?A pesquisa gerou o livro, que gerou a exposição no Museu Paranaense?, conta Elizabeth. O seminário é aberto à comunidade, com entrada franca.

O Projeto

A Secretaria de Cultura do Estado do Paraná e o Museu Paranaense, estarão promovendo a realização de seminários mensais de estudo e reflexão sobre temas relacionados às áreas de pesquisa de suas divisões técnicas: história, arqueologia, museologia, ciências sociais e antropologia. Temas relativos às políticas de gestão de acervo e às ações educativas e culturais nos museus em geral também serão abordados.

A discussão e a divulgação em seminários de temas e projetos científicos em museus estão de acordo com as prioridades de ação definidas pelos estatutos do ICOM ? International Council of Museums ? que são a coleção/aquisição, a conservação, a pesquisa, a educação/comunicação e a exibição. Os seminários reforçam a dimensão da pesquisa e da educação, incentivando a formação de um público especial que será estimulado a freqüentar os museus, interessando-se por suas atividades científico-documentais, educacionais e culturais realizadas a partir de seus acervos materiais.
 
Serviço:
Exposição ?Arquitetura do Isolamento em Curitiba na República Velha? de de Elizabeth Amorim de Castro
De terça a sexta-feira, das 9h30 às 17h30. Sábados, domingos e feriados das 11h às 15h. A mostra permanece aberta até 15 de novembro.
Entrada: R$ 2,00 Estudantes e maiores de 65 anos – R$ 1,00 – Não há cobrança de ingressos para menores de 10 anos. Aos sábados a entrada é gratuita para todos.

?Desvelando a História – Seminário Controle, Disciplina e Isolamento em Curitiba na República Velha?
Palestrantes: Profa. Dra. Maria Ignês Mancini de Boni  e Profa. Ms. Elizabeth Amorim de Castro
Local: Auditório do Museu Paranaense 
Rua Kellers, 289 ? Alto São Francisco
Dia 19 de Setembro às 18h
Entrada franca
Informações: (41) 3304-3300