A confusão que envolveu o nome de Anitta e Ludmilla por conta da composição de uma música, Onda Diferente, parece ter ido longe demais, mas não vindo das cantoras e sim de um apresentador de TV, Felipeh Campos, que desejou a morte de Anitta. Tudo se deu após o episódio denunciado por Ludmilla, que ao assistir aos vídeos do prêmio Multishow, que foi nesta terça-feira (29), entendeu que alguém a chama de ‘macaca’ quando vai receber o prêmio.

Ludmilla publicou em suas redes sociais um desabafo, dizendo que as coisas para ela e para a maioria dos brasileiros nunca foram fáceis, e com preconceito e julgamentos pelo tom de pele as pessoas só complicam as coisas. “A vontade de me diminuir é tanta que não pensam nas consequências dos seus atos”.

+Leia também: Gretchen não quer voltar a morar no Brasil: ‘Não tem condições’

A cantora ainda desabafou que, embora a Justiça seja lenta, a cobrança divina um dia vem. “Isso não significa que a cobrança nunca vai chegar, ou ela está longe disso, ainda bem que eu tenho um Deus e uma família que não me deixa desmoronar diante dos racistas, a cobrança de vocês uma hora vai chegar”, comentou ela, no post que denuncia o xingamento racista.

Postagem que Ludmilla fez denunciando racismo. Foto: Reprodução/Instagram Stories.
Postagem que Ludmilla fez denunciando racismo. Foto: Reprodução/Instagram Stories.

Se excedeu

Após a polêmica, durante o programa A Tarde é Sua, de Sônia Abrão na Rede TV!, o apresentador e jornalista Felipeh Campos foi um pouco além do que deveria nos comentários sobre a situação que envolve as duas cantoras. Dando a entender que Anitta que teria provocado tudo o que aconteceu, o jornalista comentou que ela declarou guerra. “Pensar que ainda existe esse tipo de história, uma artista negra, representante do nosso país, que está fazendo trabalho honesto, com talento”.

+Viu essa? Último show da turnê Nossa História, de Sandy & Junior, tem ingressos esgotados

Segundo Felipeh Campos, tudo o que aconteceu no prêmio Multishow, no caso as vaias e os xingamentos contra Ludmilla, foram pensados por Anitta. “Essas histórias orquestradas, onde se colocam pessoas para atingir outras. Parece que não, mas quando um artista tem um peso como tem a ‘tal garota’ [Anitta], ela está imprimindo guerra. Ela não pediu paz, ela precisava de paz, tomar um remedinho aí e dormir eternamente”, desejou o apresentador, insinuando que Anitta poderia morrer. Ele foi interrompido por Sônia Abrão, que disse: “o, o, o, não exagera”. Veja o vídeo:

Anitta responde!

Após o comentário do apresentador em TV aberta, Anitta se manifestou não só sobre o que ele disse a seu respeito, como também sobre racismo. “Inaceitável que alguém possa se achar no direito de chamar um negro de macaco ou tentar reduzi-lo como um ser humano inferior. Melhorem. Isso é crime e absolutamente abominável”, defendeu a cantora.

Em seguida, em outra postagem, Anitta também denunciou o que a atingiu diretamente. “Inacreditável uma pessoa receber visibilidade pública em TV aberta para dizer que alguém deveria tomar um remédio e dormir para sempre. As pessoas precisam urgente de senso e de responsabilidade”.

Jornalista reafirma!

Em sua rede social, Felipeh Campos também se manifestou. Ele reforçou o que disse e comentou que não gosta de Anitta. “Eu acho engraçado isso, a pessoa promove um ataque contra a Ludmilla, faz toda uma legião vaiar a Ludmilla e o que eu disse foi o seguinte: que ela deveria tomar um remedinho, mas para acalmar os ânimos, porque é excessivo, chega a ser patológica essa coisa dela querer se aparecer a todo custo e usando até mesmo a fragilidade dos outros porque pouco importa o que ela vai causar”.

Felipeh Campos disse também que não acha que Anitta tenha caráter. “Não acho que ela tenha caráter, essa é a minha opinião e ninguém vai mudar contra isso. A questão de estar incitando a morte, eu não disse isso, disse que ela deveria tomar um remedinho para acalmar os ânimos, ficar mais tranquila e sumir. Para mim ela não faz falta alguma, não gosto dela, não gosto das músicas. Gosto da Iza sim, gosto da Ludmilla sim, não gosto da ‘Malandra’ [se referindo à Anitta] porque não acho que ela tenha algo a favor. Isso tudo só prova que ela arma situações”. Veja o vídeo:

View this post on Instagram

Credo!, gente sem a mínima postura e competência. Incentivar vaias e tentar denegrir a imagem de uma outra cantora, pode?, isso tudo bem? Hahaahahahahah! Malandra sendo malandra, é isso que ela é

A post shared by 🔱 Felipeh Campos (@felipehcampos) on

Isso é crime!

O que as pessoas fizeram com Ludmilla, de a chamarem de ‘macaca’ e agirem com preconceito é crime: racismo. Mas saiba que o que Felipeh Campos fez, e em TV aberta, também é crime. De acordo com o artigo 122 do Código Penal Brasileiro, é classificado como crime contra a vida, “que consiste em açular, provocar, incitar ou estimular alguém a suicidar ou prestar-lhe auxilio para que o faça”.

Indução ao suicídio é a criação de propósito inexistente, ou seja, a pessoa que se suicida e que não tinha essa intenção ou objetivo inicialmente. Em caso de crime consumado ou lesão corporal grave, as penas estão previstas: indução com resultado morte de 2 a 6 anos de prisão, indução com resultado lesão corporal grave de 1 a 3 anos.

Além da questão da incitação ao suicídio, o que disse Felipeh Campos, desejando a morte de Anitta, também pode ser entendido como uma questão imoral, que cabe até um processo cível se Anitta assim quisesse. Já sobre o vídeo feito após a participação no programa, em que o jornalista diz que Anitta não tem caráter, ele cometeu um crime: injúria. Embora estejamos em um país de expressão livre, cuidar com as palavras é importante e, com tudo isso, fica a lição não só para o apresentador, mas para todos: não se combate um crime cometendo outro.

Em Curitiba, Anitta revela que pode encerrar carreira de cantora em 2020