O castelo de Hogwarts está em ruínas. Corpos de amigos e inimigos espalhados pelo chão. No oitavo e derradeiro filme da franquia “Harry Potter”, cuja estreia mundial, inclusive no Brasil, é hoje, não foi apenas Daniel Radcliffe, 22 anos, que cresceu – ele começou a série aos 12 anos, em 2001. Bruxos pararam de ser algo que assuste apenas criancinhas. As varinhas não são mais pedaços de madeira inofensivos. Nem seus feitiços são fogos de artifício coloridos. No último filme da saga, tudo se tornou perigosamente mortal.

E esqueça o clima infantil dos primeiros filmes. E quem não acompanhou os episódios anteriores, não vá ver este último. Em nenhum outro longa da franquia foi tão importante ter visto, pelo menos, seu antecessor. Sem prévio conhecimento mínimo sobre a história, não há muita serventia enfrentar as filas e as salas lotadas para assistir à conclusão da série.

Muito disso se deve à estratégia da Warner em dividir o sétimo e último livro da saga do bruxinho Harry Potter, escrito pela inglesa J.K. Rowling, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, de 2007, em dois filmes. Até quem viu o anterior e leu o livro – como este repórter – pode ficar confuso nos primeiro minutos de exibição. Mas não se preocupe. Isso logo passa e o filme, novamente dirigido por David Yates, suga o espectador para dentro da telona. Aliás, na ótima versão em 3D, são os bruxos que saltam da tela.

Não custa recapitular os principais e últimos acontecimentos que levaram, neste último filme, o bruxo Harry Potter a enfrentar, enfim, o perigoso Lord Voldemort (o sempre irreconhecível, pela maquiagem, Ralph Fiennes). O professor Dumbledore, diretor da escola Hogwarts e até então único capaz de enfrentar Voldemort, foi morto pelo professor Severus Snape (Alan Rickman). Isso no desfecho do sexto filme. Na primeira parte do sétimo filme, “Relíquias da Morte”, Harry precisa encontrar as Horcruxes, pedaços da alma do vilão, para, enfim, derrotá-lo. Enquanto isso, Voldemort rouba a Varinha das Varinhas – que, como o nome já entrega, é a mais poderosa do mundo -, retirando-a do túmulo de Dumbledore.

E assim começa a última parte da saga. Harry e seus dois amigos inseparáveis – Hermione Granger (Emma Watson, 21 anos), e Ron Weasley (Rupert Grint, 22) – estão acuados. Eles precisam encontrar as últimas quatro Horcruxes, antes que seja tarde demais.

A impressão para quem assiste é a de que David Yates quis deixar toda a explicação para a primeira parte e partir para ação na segunda. Em 2 horas e 10 minutos de duração, o filme é uma sequência de cenas ação. Uma atrás da outra. E isso inclui um ousado roubo ao banco de Gringotes, com uma fuga mais empolgante ainda. Diferentemente do primeiro episódio dessa última parte, porém, grande parte da ação volta a ter como cenário a escola mais famosa entre os fãs do bruxinho. Uma sangrenta batalha entre os Comensais da Morte, nome dos seguidores do vilão Voldemort, contra a Ordem da Fênix, os bruxos aliados a Potter, que formam uma espécie da resistência, será travada dentro e nos arredores do castelo. Hogwarts é praticamente destruída. Quem leu os livros sabe que personagens importantes não sobrevivem à luta.

“Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2” ganhou com a divisão do livro. Se os cortes de partes importantes para os fãs eram recorrentes nos seis filmes anteriores, o esperado desfecho da série ganha em profundidade e amplitude. É algo que, pela devoção, os fãs de Harry Potter merecem. Na exibição para a imprensa, não foram poucos os choros contidos escondidos pela escuridão da sala. Uma emoção extravasada e com a sua devida razão. Foram dez anos de Harry Potter, do garotinho órfão de 12 anos ao responsável por salvar todo o mundo bruxo. As informações são do Jornal da Tarde.