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‘Aparecida’ valoriza a fé de todas as religiões

  • Por Estadão Conteúdo

Convidado para escrever um musical que envolvesse os milagres atribuídos a Nossa Senhora Aparecida, Walcyr Carrasco não estava satisfeito em fazer um espetáculo apenas histórico. Foi quando ele conheceu um casal, que se sentou ao seu lado em uma viagem na ponte aérea entre Rio e São Paulo. “Começamos a conversar, logo nos tornamos amigos, e ele me contou que hoje enxerga graças a uma intervenção de Nossa Senhora. Era exatamente o que eu queria, o testemunho de um milagre atual, da força da fé. Aí, a história deslanchou”, contou ele ao jornal O Estado de S. Paulo. O fruto desse encontro é Aparecida, que estreia na sexta-feira, 22, no Teatro Bradesco.

Não se trata, portanto, de um musical que acompanha a trajetória da santa. “É, na verdade, um espetáculo sobre a fé”, acredita Leandro Luna, um dos protagonistas da peça. Ele vive Caio, ambicioso advogado casado com Clara (Bruna Pazinato). Sem nenhuma crença religiosa, o rapaz é totalmente desprovido de fé até o momento em que, para curar um câncer no cérebro, ele faz um tratamento que o deixa cego. Sem esperança com a ciência, Caio e a mulher iniciam uma jornada de descobrimento espiritual até ver a realização de seu desejo.

“Foi difícil entrar no personagem porque ele passa por muitas mudanças”, conta Luna. “De cético e inflexível, Caio se transforma em um homem frágil e mais crente.” Luna, assim como Bruna, não tiveram contato com o casal que inspira a história – na verdade, eles nem sabem quem são. “Assim, criamos um passado fictício para cada personagem a fim de facilitar nosso entendimento de suas atitudes”, conta a atriz, que já fez outros trabalhos com tramas com histórias de cunho religioso como o musical Os Dez Mandamentos e a protagonista da série Lia, na TV Record.

A experiência religiosa de Clara e Caio permite ao musical se desdobrar, com a narrativa sendo pontuada por diversas histórias que detalham alguns milagres operados pela santa padroeira do Brasil. Desde a descoberta da estátua de Nossa Senhora, por pescadores, até o escravo negro que foi alforriado depois que seus grilhões se soltaram quando ele rogou para a santa. “É um espetáculo muito delicado, que trabalha com a crença das pessoas, não apenas dos católicos”, observa Fernanda Chamma, responsável pela direção geral e pela coreografia. “Eu pretendia apresentar um trabalho genuinamente brasileiro, desde o tema até os figurinos, que basicamente utilizam renda e algodão.”

Experiente em musicais, Fernanda conseguiu amarrar as histórias de forma suave, sem acentuar o tom religioso, o que poderia afastar um determinado tipo de público. “Usei meu conhecimento de balé para marcar o espetáculo.” O resultado são histórias bem contadas, com belas e vigorosas coreografias, que não se afastam da principal intenção, que é valorizar a figura da Aparecida. Um dos trunfos é a trilha sonora especialmente criada por Ricardo Severo (libreto) e Carlos Bauzys (melodias). “As letras trazem um discurso mais próximo da estética da canção brasileira, e não tão com a da Broadway”, afirma Severo. “E usamos os instrumentos para marcar as épocas”, completa Bauzys. “A bateria eletrônica, por exemplo, identifica a atualidade.”

‘Aparecida’ valoriza a fé de todas as religiões

APARECIDA

Teatro Bradesco. Shopping Bourbon. Rua Palestra Itália, 500. 6ª, 21h. Sáb., 16h e 21h. Dom., 15h e 19h30. R$ 75 / R$ 220. Até 21/4

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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