O doutor Steven Shafer, especialista anestesiologia e no poderoso anestésico propofol – que teria causado a morte do cantor Michael Jackson -, disse aos jurados nesta quinta-feira que o pop star não poderia ter causado a própria morte engolindo o medicamento, teoria apresentada e posteriormente abandonada pela defesa do cardiologista Conrad Murray, acusado pelo assassinato do rei do pop.

Shafer disse que é impossível que qualquer droga engolida entre na corrente sanguínea, onde os legistas encontraram a droga após a morte de Jackson em junho de 2009. Murray declarou-se inocente da acusação de assassinato culposo. Ele era o médico pessoal de Jackson havia cerca de dois meses quando o cantor morreu.

Shafer disse aos jurados que a vida de Jackson foi colocada em risco por 17 ações indevidas de Murray. Muito apontaram a falta de modernos equipamentos para assegurar a vida do cantor quando Murray ministrou propofol para combater a insônia de Jackson, mas Shafer disse que, dentre as piores transgressões do cardiologista, a pior foi colocar seus próprios interesses à frente dos se seu paciente.

Ele comparou o cardiologista a um funcionário, um empregado doméstico, que não diz não a seu patrão. “Dizer sim não é que os médicos fazem”, disse ele. “Um médico competente saberia que não se faz isso.”

Shafer, que ajudou a escrever a bula que acompanha os frascos de propofol, disse várias vezes que as ações de Murray foram inescrupulosas, antiéticas e ilegais. Ele disse que o caso de Murray não se assemelha a nada que ele tenha visto antes.

“Estamos numa terra do nunca farmacológica aqui. O que foi feito a Michael Jackson não aconteceu e a nenhuma outra pessoa na história, até onde eu sei”, disse ele aos jurados.

Shafer lembrou aos jurados que o cardiologista comprou mais de quatro galões de propofol para aplicar no cantor, que ele estava ao telefone horas antes da morte de Jackson e não ligou imediatamente pedindo ajuda quando descobriu que ele estava inerte.

“Os piores desastres acontecem com sedação e eles ocorrem quando as pessoas cortam caminho”, disse Shafer. No caso de Jackson, “Praticamente nenhuma das salvaguardas foi tomada”.

Shafer declarou que estava testemunhando porque quer restaurar a confiança das pessoas nos médicos que usam propofol, que segundo ele é um medicamento maravilhoso quando administrado adequadamente. “Todo dia me perguntam na sala de cirurgia, ‘você vai usar em mim aquela droga que matou Michael Jackson?'”, afirmou Shafer. “Este é o tipo de temor quer os pacientes não precisam ter”. As informações são da Associated Press.