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Andy García narra documentário sobre ex-presos políticos cubanos

Um documentário narrado pelo ator Andy García e centrado na história de cinco cubanos que se juntaram à Revolução mas acabaram prisioneiros de Fidel Castro e hoje vivem em um mesmo povoado dos EUA, vai estrear em 14 de agosto no Festival de Cinema Internacional de Nova York.

“Convidei Andy García porque é uma pessoa muito interessada no tema e porque para ele é algo muito pessoal”, afirmou nesta quarta-feira em entrevista à Agência Efe a diretora e produtora venezuelana Gladys Bensimon, autora de “Celebrating Life in Union” (“Comemorando a Vida em União”).

O ator cubano-americano, que faz a narração tanto na versão em inglês como em espanhol, se sente “muito identificado” com a história, porque sua família também teve que sair de Cuba, “da mesma forma que milhares de pessoas”, disse Gladys.

O filme narra a história desses cubanos que acabaram nas prisões castristas depois de terem lutado na revolução e serem “traídos por seu líder” Fidel Castro, segundo o cineasta, que destacou a “irmandade” que os manteve unidos. Décadas mais tarde, eles vivem em Union City (Nova Jersey).

“Suas histórias me comoveram, sobretudo vê-los chorar ao lembrar da morte de seus amigos, como Aldo Chaviano, o único que sobreviveu de um grupo de 19 pessoas e viu como seus companheiros foram fuzilados”, disse Gladys.

“Como uma pessoa pode sofrer tanto? Acho que o que os manteve vivos foi essa irmandade, pois compartilhar sua dor é como um tratamento”, argumentou a cineasta venezuelana.

Os protagonistas do documentário são Chaviano, condenado a 26 anos de prisão; José Gutiérrez Solana e Aurelio Candelaria, que cumpriram 10 e 26 anos de prisão, respectivamente, assim como Ángel Alfonso e Aniceto Cuesta, que passaram 20 e 13 anos presos, todos eles moradores de Union City.

O mais novo tinha 15 anos de idade e o mais velho, 19, quando se uniram ao movimento que derrubou em 1959 o ditador Fulgencio Batista, liderado pelo jovem Fidel Castro, cujas imagens daquela época aparecem também no documentário.

“Eram jovens trabalhadores, estudantes universitários, professores, agricultores, que lutaram contra Batista”, lembrou Gladys, que acrescentou que “a ideia era que Castro, após 18 meses no poder, convocaria eleições, o que não ocorreu”.

“Após todo esse esforço, foram traídos por Castro e terminaram liderando uma revolução contra ele nas Montanhas de Escambray” o que os levou à prisão, disse a cineasta e ativista de direitos humanos.

Gladys conheceu os ex-presidiários através de um amigo que a convidou para uma reunião do grupo e se apaixonou por suas histórias, embora tenha demorado dois anos para levá-las ao cinema, porque para eles “foi difícil lembrar” o que sofreram durante o encarceramento.

“Foi um processo, porque as pessoas não contam tudo o que sofreram. São gente simples e o que os manteve vivos foi a esperança, a irmandade. Cada vez que alguém sai da prisão, eles ajudam”, explicou.

A cineasta entrevistou o escritor Huber Matos, de 93 anos, um ex-comandante da revolução que renunciou por causa da promessa não-cumprida de Fidel de convocar eleições, por isso foi acusado de traição e seu caso provocou a revolta de um grupo de jovens, que tomaram armas contra Castro.

No documentário, um dos ex-presos políticos, Ángel Alfonso, diz que conhecer o caso de Huber Matos “tirou a venda dos olhos de toda a juventude” cubana.
Por sua vez, Chaviano diz que Fidel Castro os “enganou” e que diante de sua “traição”, decidiram empunhar armas outra vez.

“Pensamos que podíamos ganhar”, disse Chaviano, enquanto Aniceto Cuesta afirma no filme que foi mais maltratado “simplesmente por ser negro”.

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