Meia hora de conversa com André Trigueiro basta para causar no interlocutor uma dose de culpa ecológica: perto dele, pouca gente dirá que faz o suficiente pelo planeta. Dono de um discurso que se consuma no seu dia a dia, o jornalista estreia nesta quinta-feira, no “Jornal da Globo”, uma coluna quinzenal sobre o tema, sem abandonar o semanal “Cidades e Soluções” da Globo News.

Trigueiro também passou a integrar o time de repórteres do “Jornal Nacional” ? embora não esteja “blindado” para só falar sobre sustentabilidade, o tema passa a tê-lo como um especialista a serviço do noticiário, que, a esta altura, já o requisita em uma série especial para a Rio+20.

Nada mal para quem descobriu o interesse pelo assunto há exatamente 20 anos, na Rio 92, fórum que justifica o batismo do encontro mundial a ser abrigado pelo Rio de Janeiro nos próximos dias. Daquele tempo, quando ainda trabalhava para a Rádio Jornal do Brasil, André guarda a credencial da ONU. Foi um marco na história do planeta e na sua história de vida. “Acompanhei o fórum global e percebi que esse assunto não era de ambientalistas, ecologistas, cientistas, é de quem está vivo, está plugado neste planeta”, diz.

Vinte anos depois, ele acumula no histórico um título de pós-graduação em Gestão Ambiental pela UFRJ, onde hoje leciona Geopolítica Ambiental. É ainda professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ e autor dos livros “Mundo Sustentável ? Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação”, “Meio Ambiente no Século 21” e “Espiritismo e Ecologia”.

A estreia no “Jornal da Globo” começa com energia eólica no Brasil. Nos últimos sete anos a capacidade instalada aumentou 54 vezes e em dois anos a energia do vento vai atender a mais de 70 milhões de pessoas. Trigueiro fala com propriedade sobre o assunto que narra na tela.

“A ideia é abrir espaço, dentro de um telejornal que permite essa abordagem com mais flexibilidade, para assuntos que têm sido a minha rotina já há algum tempo: falar de qualidade de vida, a partir de iniciativas sustentáveis, que promovam o uso inteligente dos recursos naturais, com uma perspectiva concreta, e não utópica”, diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.