Espécie de Flautista de Hammelin da música clássica mais popular, o maestro, compositor e violinista superstar holandês André Rieu fez 65 anos nessa quinta-feira, 2, e vai celebrar como de hábito: com uma multidão à sua frente aplaudindo. Ele faz nove shows praticamente lotados entre esta sexta-feira, 3, e domingo, 12, no Ginásio do Ibirapuera. Chega a bordo de um novo disco, Love in Venice, gravado com a sua Johann Strauss Orchestra (nas lojas a partir do dia 4).

Na última vez que André Léon Marie Nicolas Rieu veio ao Brasil, ele foi ao Domingão do Faustão e tocou Ai se Eu te Pego, do Michel Teló, hit que defende com unhas e dentes. “Não acredito nos conceitos de alta e baixa cultura. Essa música proporcionou alegria a milhões de pessoas pelo mundo. O que há de errado com isso? A música clássica, em seu início, também era entretenimento. Verdi, Mozart, Puccini, todos eles escreveram grandes hits em seu tempo, músicas que as pessoas cantavam nas ruas. Não só nas salas de concerto ou de ópera.”

Um dos discos mais recentes de Rieu foi gravado com o repertório do grupo sueco ABBA, numa aventura que define como uma experiência – tinha a ver com o aniversário de 40 anos da canção Waterloo. Rieu ama as canções The Winner Takes it All e Chiquitita. “Aqueles caras escreveram melodias lindas”, explica. “Mas é disco music, que não é o que costumo tocar e, tenho de admitir, não é onde meu coração está. Sou um romântico e estou mais envolvido com o projeto Love in Venice. Tocamos Volare, Azzurro, Mama, Ai Marie e também três canções inéditas.”

Essa facilidade com que Rieu se move em meio a repertórios de alta redundância e clichês musicais lhe rendeu milhões de fãs, assim como alguns bons detratores.

Ele dá de ombros. Rieu estudou violino clássico no Conservatoire Royal in Liège e no Conservatorium Maastricht, foi aluno de Herman Krebbers e André Gertler. Há quem o tenha como um “traidor” da música erudita.

“Não tenho pretensão de aumentar audiência para a música clássica, nem com meu flerte com o pop nem com os programas clássicos. Apenas amo fazer música.”

A popularidade do violinista é atestada pela facilidade com que se insere em todo o complexo pop. Recentemente, ele foi capa de uma revista do Pato Donald especial. É uma história em que seu violino Stradivarius é roubado pouco antes de seu concerto. Ele não teme que algo similar aconteça com seu Stradivarius de 1732 por dois motivos: tem um bom seguro e porque há um guarda-costas que carrega o instrumento para ele. Ele já virou um fenômeno também no Brasil. Diz que o segredo do bom relacionamento é a vibração da plateia. “Sou uma pessoa apaixonada e gosto de pessoas que são apaixonadas. Porque sem paixão, seja pela música, pelo futebol, pelas mulheres, pelos carros, não seriam nossas vidas tristes e chatas?”

SERVIÇO

ANDRÉ RIEU

Ginásio do Ibirapuera. Rua Manoel da Nóbrega, 1.361, 4003-1212. 6ª, sáb., 3ª a 5ª, 21 h; dom., 19 h. R$ 160/R$ 800. Até 12/10.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.