Alex Klein começou
a tocar com
apenas nove anos.

De nome pouco conhecido, mas de importância fundamental antes de um concerto começar, o timbre penetrante do oboé é que toca a nota ?lá? para que os outros instrumentistas afinem violino, harpa, clarineta, flauta, trompa etc. Os oboés foram incorporados às orquestras em 1750; na época não havia outro instrumento de afinação fixa. De passagem em Curitiba, cidade onde cresceu e habita, quando sua movimentada agenda permite, o reconhecido oboísta Alex Klein conversou com O Estado sobre sua carreira e a importância cultural e social da música.

A história de Alex com o oboé teve início quando ele tinha nove anos de idade. Para ele, a música pode e deve fazer a diferença na educação infantil. ?Fui uma criança indisciplinada nos primeiros anos de escola e, somente após meu interesse pelo instrumento, foi que passei a ter disciplina?, comentou. Por meio do instrumento o garoto virou homem e tornou-se artista. ?A importância dos pais identificarem o gosto artístico dos filhos é o começo de uma vida consciente. O mesmo poderia ser feito com os jovens problemáticos à sociedade, – ao invés de jogá-los em uma cela da Febem, eles deveriam ter a oportunidade de descobrir o gosto pela arte?. O artista lembrou que a música é a arte de maior difusão nacional. Com formação em música nos Estados Unidos e especialização musical na Unesp (SP), atualmente Alex toca em média apenas uma hora de oboé por dia.

Diretor artístico da Oficina de Música de Curitiba e músico da Orquestra Sinfônica de Chicago, Alex Klein teve de deixar o cargo de 1.º Oboé de Chicago devido a um problema motor em dois dedos da mão esquerda. Com um distúrbio cerebral, a mensagem não chega a esses dedos, exigindo que o músico faça uma pressão muito grande para conseguir movimentá-los. A pressão feita pelo braço causa tendinite e impossibilita que ele fique muito tempo no instrumento. ?Para mim foi muito triste ter que largar a posição que atingi em Chicago há dez anos. Foram três anos sendo analisado entre cem músicos, mesmo assim continuo na orquestra fazendo regência e tocando oboé solo em concertos?, disse.

Segundo Klein, a música é um conjunto de símbolos auditivos que produzem uma mensagem auditiva. ?Dessa maneira transformo o som em emoção. O músico que tenta fazer com que todos entendam sua arte da mesma maneira não é um artista. A magia da arte está no poder do artista trazer todas suas emoções para o palco, e da platéia captar o som e sentir seus próprios sentimentos?, afirmou. A maneira de Alex encarar a música lhe rendeu entre outros prêmios o Grammy 2002, na categoria de Melhor Solista Instrumental.

Oficinas de Música

Entre concertos e a vida particular, Alex separou um tempo especial para realizar palestras e oficinas de música. Uma das principais oficinas é a de Curitiba, realizada todo mês de janeiro, e a direção artística é assinalada por Klein. ?Todos os anos trazemos artistas de renome para ensinar música e realizar atividades artísticas durante dez dias. O quadro de músicos é de causar inveja em qualquer festival de música do mundo?, disse. Para a próxima edição a intenção é melhorar as oficinas trazendo-as para os bairros e possibilitando que comunidades carentes possam participar do evento. Alex ainda afirmou que existe a possibilidade de aumentar a duração da oficina, ?se possível dando início às atividades no segundo semestre desse ano?.

Os outros festivais que o músico participa são no Panamá, China (próximo mês de julho) e Moçambique. Neste último, realizado entre os dias 15 e 23 de abril passado, na cidade de Maputo, depois de conversar com alguns participantes da oficina o músico teve a certeza da necessidade de se criar festivais de música como o de Curitiba e levá-los para outras regiões. ?As pessoas precisam se sentir úteis, importantes. Eventos como esse trazem às pessoas um orgulho e esperança, fazendo-as levantar a cabeça. É preciso trazer qualidade e comunidade para a população jovem, só assim se desperta o interesse pela educação?.

O que é Oboé?

O instrumento possui uma palheta dupla, uma pequena e delgada tira de uma cana especial dobrada em dois, e um pequeno tubo de metal colocado entre os dois lados da tira dobrada.

O oboísta coloca a extremidade da palheta dupla entre seus lábios, retraindo-os levemente para dentro da boca contra os dentes. O som do oboé é nasalado, mais áspero (mais palheta) quando comparado com o timbre claro e aberto da flauta. O oboé tem uma extensão de notas menor que os outros instrumentos de sopro, mas é capaz de grande variedade de timbres e de estilos de tocar.