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A vida na fronteira, filtrada pelo olhar infantil

Havia, no Festival de Berlim deste ano, uma preocupação quase curatorial em relação a temas como imigrantes e refugiados. O júri presidido por Meryl Streep atribuiu o Urso de Ouro a Fogo no Mar, do italiano Gianfranco Rosi. Houve uma emocionante sessão especial de Life on the Border, que agora chega à Mostra com o título de A Vida na Fronteira.

Um amigo da Mostra, o iraniano Bahman Ghobadi, é o produtor. Sua ideia – organizar oficinas de roteiro e realização em campos de refugiados para que crianças curdas locadas na Síria e no Iraque pudessem contar suas histórias. São crianças que vivem em cidades de lona. Perderam tudo, mas têm o futuro pela frente. E não desistiram, dele.

Diversos diretores uniram-se ao projeto. Deram assistência aos autores debutantes. São oito garotos e garotas de 12,13, 14 anos, cujos relatos preenchem os 73 minutos de duração de A Vida na Fronteira. Um dos episódios chama-se Nosso Filme É Melhor.

A guerra de Clint Eastwood (Sniper Americano) serve de contraponto à guerra que os pequenos refugiados acompanham ao vivo. A primeira história é sobre um casal de irmãos. O desfecho, mágico sem precisar de efeitos, é um dos mais belos do cinema.

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