Escrevo sob forte impacto da perda de um dileto amigo.

Conhecemo-nos nos bancos universitários, ele, um ano mais moço e concluímos o Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva, em 1948, fato que ele sempre recordava, porque fora eu, surpreendentemente, escolhido para orador.

Formamo-nos em Direito, ele abraçando a carreira do Ministério Público, vencendo etapa por etapa, com raro brilhantismo, até assumir a douta Procuradoria Geral da Justiça.

Reencontramo-nos, definitivamente, no egrégio Tribunal de Justiça, ambos atingindo a presidência, mas sendo ele o eficientíssimo corregedor da Justiça, no meu mandato.

Estreitamos o relacionamento, singrando-os quadrantes do Paraná, sendo dele a principal e mais aplaudida oratória.

Premiei-o, assim, com o título de “Patativa do Judiciário”, ao qual fazia jus, inegavelmente.

Tal era Henrique César, o admirável homem público, o amigo sincero e leal.

Pertinaz enfermidade roubou-o de nosso convívio.

Um vácuo enorme abriu-se.

Não mais ouviremos, extasiados, os seus arroubos oratórios.

Não mais privaremos de sua alegre companhia.

O “Juiz dos Juízes”, certamente, seguramente, o tem em seu regaço.

A “patativa, na realidade, não emudeceu. Antes, de fato, passou a cantar nas Alturas Celestiais.

Ficou-nos a saudade. Saudade imensa, que o tempo não aplacará…

Resta-nos a prece: “Senhor, eis a provação. Ajuda-me a recebê-la de tuas mãos!”

Luiz Renato Pedroso é desembargador jubilado, presidente do Centro de Letras do Paraná.

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